Em Jacareí (SP), Lula disse que o Brasil deve reforçar aparato militar e científico para garantir soberania. Na Avibras, pediu domínio de tecnologias estratégicas: mísseis, veículos especiais e lançadores civis.
HOJE, em Jacareí (SP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que o país reforce o aparato militar e científico das Forças Armadas. A fala ocorreu durante visita às instalações da Avibras Aeroco, empresa nacional de engenharia que voltou a operar em março após atravessar grave crise financeira.
No encontro com trabalhadores e dirigentes, Lula enfatizou a importância de alinhar poderio bélico a avanços em pesquisa e inovação. Para ele, um Brasil soberano precisa dominar tecnologias estratégicas, como sistemas de mísseis, veículos especiais e lançadores espaciais civis.
“Quero as Forças Armadas bem preparadas do ponto de vista do poderio, do conhecimento científico e tecnológico para que a gente possa andar de cabeça erguida, sem nenhuma arrogância. Falando em paz, mas preparado para não deixar ninguém meter o nariz no nosso país”, disse.
O presidente mencionou a extensão territorial do Brasil e suas fronteiras secas com quase todos os países da América do Sul. Segundo ele, essa posição geográfica reforça a necessidade de modernizar equipamentos e capacitar o efetivo militar.
A Avibras Aeroco, anfitriã da cerimônia, possui mais de cinco décadas de atuação e se notabiliza pela produção de foguetes guiados, mísseis de cruzeiro e motores para a Marinha e a Força Aérea Brasileira. A companhia entrou em recuperação judicial em março de 2022, depois de relatar dívidas de R$ 600 milhões. À época, anunciou 420 demissões, suspensas pela Justiça um mês depois a pedido do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região.
Os problemas se agravaram com uma greve de 1.280 dias, paralisando linhas de produção e afetando contratos estratégicos. O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo autorizou, em 25 de julho de 2025, a transferência de 99% das ações para o Brasil Crédito Gestão Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, credor majoritário da companhia. O ex-controlador João Brasil Carvalho Leite foi destituído.
Desde então, a nova administração trabalha para recuperar encomendas militares e reabrir frentes no mercado civil, inclusive na área espacial. Na avaliação de empregados ouvidos durante a visita, a retomada de atividades deve elevar o número de postos de trabalho e garantir continuidade a projetos considerados críticos para a defesa nacional.
No discurso, Lula reiterou que investimentos na indústria de Defesa não conflitam com a busca pela paz, mas funcionam como seguro estratégico. Ele reforçou que projetos com conteúdo tecnológico avançado geram empregos de alta qualificação e estimulam cadeias produtivas de alto valor agregado.
Autoridades federais ligadas aos ministérios da Defesa, da Ciência e Tecnologia e da Indústria acompanharam a agenda. Técnicos presentes explicaram que as linhas de produção reativadas incluem veículos blindados e sistemas de lançamento de satélites de uso dual (civil e militar).
Além de exaltar a relevância do segmento bélico, Lula disse que o governo continuará articulando crédito e incentivos para que empresas nacionais ampliem participação em licitações internacionais, inclusive com a Parceria Estratégica de Defesa firmada com outros países sul-americanos.
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