A prévia da inflação desacelerou em julho, ficando abaixo do ritmo de junho e do mesmo mês de 2025. Acumula alta de 3,51% no ano e 4,52% em 12 meses, ainda dentro da banda da meta para 2026.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) recuou para 0,06% em julho, segundo dados divulgados HOJE pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa mensal ficou abaixo dos 0,41% apurados em junho e dos 0,33% registrados em julho de 2025, confirmando a sequência de arrefecimento nos preços ao consumidor.
Com o resultado de julho, a prévia da inflação oficial acumula avanço de 3,51% no ano e de 4,52% em 12 meses. O movimento, embora mais contido, mantém o índice dentro da banda de tolerância da meta inflacionária estabelecida para 2026, mas ainda sinaliza desafios para a convergência ao centro da meta.
Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, habitação exerceu o maior impacto, com alta de 0,97% no mês. Dentro do grupo, a energia elétrica residencial subiu 3,03%, refletindo reajustes autorizados em diversas áreas de concessão, enquanto a tarifa de água e esgoto avançou 0,26%.
Na direção oposta, alimentação e bebidas registraram deflação de 0,66%, contribuindo para suavizar a leitura do índice. Na composição interna, a alimentação no domicílio caiu 1,14%. Itens básicos da cesta recuaram de forma expressiva, como tomate (-19,95%), batata-inglesa (-10,03%) e café moído (-3,13%). Já a alimentação fora do lar teve alta de 0,55%, indicando pressão de custos em bares e restaurantes.
Outros quatro grupos apresentaram aumentos: artigos de residência (0,19%), transportes (0,11%), saúde e cuidados pessoais (0,28%) e despesas pessoais (0,08%). Três segmentos mostraram retração: vestuário (-0,33%), educação (-0,04%) e comunicação (-0,02%).
Para compor a leitura de julho, o IBGE coletou preços entre 17 de junho e 15 de julho nas principais regiões metropolitanas do país. O IPCA-15 é considerado um termômetro da tendência de inflação porque antecipa grande parte das variações que serão captadas no índice cheio do mês, o IPCA, divulgado tradicionalmente na primeira quinzena seguinte.
Especialistas do mercado financeiro avaliam que o ambiente de menor pressão sobre alimentos colabora para a desaceleração geral, mas alertam que o comportamento dos preços administrados, sobretudo energia e saneamento, merece atenção nos próximos meses. A continuidade do ciclo de desinflação dependerá também da dinâmica cambial e de expectativas ancoradas em relação à política fiscal.
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