Decisão do Fed de manter a taxa entre 3,50% e 3,75%, com discurso mais brando e dissidência interna, enfraqueceu o dólar e pressionou a bolsa paulista. Moeda fechou em R$ 5,108 (-0,27%), mínima de R$ 5,09 às 16h20.
O mercado financeiro brasileiro encerrou a quarta-feira, 29/07, sob efeito direto da decisão do Federal Reserve de manter a taxa básica dos Estados Unidos no intervalo de 3,50% a 3,75%. A combinação de juros inalterados, discurso considerado mais brando e divisão interna no comitê norte-americano ajudou o dólar a perder força e, ao mesmo tempo, pressionou a bolsa paulista.
No câmbio, a moeda norte-americana caiu 0,27% e fechou vendida a R$ 5,108, depois de oscilar durante boa parte do dia ao redor da estabilidade. A mínima foi registrada às 16h20, quando o preço atingiu R$ 5,09. Operadores destacaram que o alívio ganhou tração logo após o término da coletiva de imprensa do presidente do Fed, Kevin Warsh, cuja avaliação sobre a inflação foi lida como menos dura do que em reuniões anteriores.
O resultado também refletiu o maior apetite por carry trade — estratégia que aproveita o diferencial entre a taxa Selic doméstica e os juros norte-americanos. Indicadores internos relativamente positivos, como o saldo de 145.161 empregos formais em junho e o superávit comercial robusto, ficaram em segundo plano, mas reforçaram a busca de investidores estrangeiros por rendimentos em reais.
Enquanto o câmbio recuou, o Ibovespa não resistiu ao tom de cautela global e fechou em baixa de 1,52%, aos 173.885 pontos. Bancos responderam pela maior pressão de venda, refletindo receios sobre a trajetória futura da política monetária dos EUA. Em Wall Street, o S&P 500 caiu 1,55%, sinalizando aversão ao risco em diversas praças.
Entre os destaques positivos da B3, as ações da Petrobras amenizaram parte das perdas do índice. Os papéis ordinários avançaram 2,35%, enquanto os preferenciais subiram 1,92%, embalados pela disparada do petróleo nos mercados internacionais.
Os contratos do tipo Brent para outubro saltaram 7,32%, encerrando a US$ 88,09 por barril. Já o WTI para setembro valorizou-se 6,56%, a US$ 84,46. Analistas atribuíram o movimento à escalada de tensões no Oriente Médio, depois de novos confrontos envolvendo forças norte-americanas e grupos apoiados pelo Irã, além de declarações do presidente Donald Trump sobre possível resposta militar. A queda maior do que a prevista nos estoques semanais dos EUA reforçou o avanço das cotações.
No âmbito da decisão do Fed, nove integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto votaram pela manutenção dos juros, enquanto Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan defenderam um aumento de 0,25 ponto percentual. Mesmo sem mudança, as projeções de mercado continuam indicando elevada probabilidade de alta na reunião de setembro.
No Brasil, profissionais das mesas de câmbio lembraram que a taxa real de juros continua atraente, proporcionando demanda adicional por reais. Essa procura ajudou a compensar a queda das bolsas e sustentou o recuo do dólar.
Para os próximos dias, agentes financeiros prometem monitorar a divulgação do PIB norte-americano, os dados do mercado de trabalho dos EUA e qualquer nova sinalização sobre a política monetária. No front doméstico, a expectativa se volta à reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da próxima semana, que poderá recalibrar apostas sobre o diferencial de juros responsável por parte do humor observado HOJE.
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