Pesquisa FeMa Meter/Susep mostra que 54,4% dos empregados no mercado de seguros são mulheres. Porém apenas 28,5% ocupam cargos de gestão executiva entre 142 empresas analisadas.
As mulheres já representam mais da metade da força de trabalho no mercado brasileiro de seguros e de previdência privada aberta, mas continuam longe de ocupar posições equivalentes nos altos escalões. Dados da primeira edição da pesquisa FeMa Meter, divulgada pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), mostram que a participação feminina atinge 54,4% entre os empregados das 142 empresas analisadas, mas cai drasticamente quando o recorte envolve liderança.
O levantamento informa que somente 28,5% dos cargos de gestão executiva são ocupados por mulheres. A discrepância fica ainda mais evidente nos conselhos de administração, onde elas detêm 18,5% das vagas. O estudo reforça que a presença feminina tende a diminuir à medida que o nível hierárquico sobe, revelando um descompasso entre a participação na base e o acesso às funções estratégicas.
Do lado do consumo, o cenário também denuncia a disparidade de gênero. Mesmo já sendo maioria no quadro de pessoal, as mulheres contratam menos produtos de seguros e de previdência privada aberta do que os homens. A autarquia responsável pelo levantamento ressalta que compreender esse comportamento é essencial para ampliar a inclusão securitária e oferecer soluções mais alinhadas ao perfil das consumidoras.
Os pesquisadores utilizaram informações referentes a 31/12/2024 enviadas por 129 seguradoras e 13 entidades abertas de previdência complementar. O instrumento principal foi o FeMa Meter, ferramenta desenvolvida pela Access to Insurance Initiative para mapear a inserção feminina em mercados de economias emergentes. Para enriquecer a base, a Susep aplicou planilhas próprias com dados de seguros de automóveis, residenciais e previdência. Antes da divulgação, todas as informações passaram por checagens de consistência e confrontação com outras bases internas.
O estudo integra o Plano de Regulação da Susep para 2025 e servirá de subsídio a políticas públicas que buscam um mercado securitário mais inclusivo. A intenção é gerar diagnósticos periódicos capazes de orientar tanto o desenvolvimento de produtos voltados ao público feminino quanto programas de estímulo à ascensão das profissionais dentro das empresas.
Entre as expectativas, está a criação de indicadores que acompanhem a evolução da participação feminina em funções de comando, a partir de metas transparentes e mensuráveis. A pesquisa também sugere que companhias adotem iniciativas de mentoria, flexibilização de jornada e capacitação voltada a mulheres, como estratégia para reduzir o hiato de gênero nos postos de decisão.
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