Em Brasília, nesta quarta (05/08), o Copom cortou a Selic em 0,25 p.p., para 14%. É o quarto corte seguido desde março; a inflação desacelera, mas segue acima do teto de 4,5%.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu HOJE, quarta-feira (05/08), a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, fazendo o indicador recuar de 14,25% para 14% ao ano. É a quarta decisão consecutiva de corte desde março, quando o colegiado passou a flexibilizar a política monetária após um longo período de juros elevados.
Reunido na sede da autoridade monetária em Brasília, o Copom avaliou que a trajetória de inflação continua em desaceleração, embora persista acima do teto da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para 2025, de 4,5%. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) registrou avanço de 0,06% em julho, levando o acumulado em 12 meses a 4,52% — patamar inferior aos 4,80% registrados no período imediatamente anterior, mas ainda acima do limite superior estabelecido.
Os diretores da autarquia destacaram que, apesar da moderação gradual da atividade econômica, alguns setores continuam demonstrando resiliência, enquanto o mercado de trabalho se mantém aquecido. Esse quadro, apontam, exige atenção, mas abre espaço para ajustes graduais na taxa básica de juros com o objetivo de convergir a inflação para o centro da meta.
“Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”
O comunicado oficial pondera que o ambiente externo segue permeado por incertezas. As tensões geopolíticas no Oriente Médio e a indefinição sobre a trajetória dos juros em economias avançadas mantêm a volatilidade elevada no mercado de commodities e no preço de ativos, o que demanda cautela de países emergentes.
“Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”
No plano doméstico, os indicadores divulgados desde a última reunião sinalizam redução lenta no ritmo de crescimento, mas ainda em níveis robustos. A inflação cheia desacelerou, ao passo que as medidas subjacentes recuaram para pouco abaixo do teto da meta, reforçando a avaliação de que o processo de desinflação prossegue, embora mais lentamente do que o desejado.
Antes da sequência de cortes iniciada há cinco meses, a Selic permaneceu estacionada em 15% ao ano entre junho de 2025 e março deste ano, o maior patamar em quase duas décadas. A manutenção de juros elevados encareceu o crédito, afetou as parcelas de financiamentos e reduziu o fôlego do consumo, cenário que o Banco Central espera reverter gradualmente com a atual estratégia de afrouxamento.
Economistas de mercado calculam que cada redução de 0,25 ponto na taxa básica injeta dinamismo na economia ao baratear o custo dos empréstimos e estimular investimentos produtivos. Ainda assim, analistas ouvidos por instituições financeiras avaliam que o Copom deve manter prudência, observando atentamente a evolução dos preços de combustíveis e alimentos, bastante sensíveis às variações externas.
A próxima reunião do colegiado está prevista para o fim de setembro. Até lá, novos dados de inflação, mercado de trabalho e atividade deverão orientar a continuidade ou não do ciclo de cortes. Se o cenário se mantiver benigno, parte dos especialistas projeta que a Selic poderá encerrar 2026 na casa dos 13,25% ao ano. Entretanto, qualquer deterioração no quadro inflacionário poderá levar o Banco Central a interromper ou mesmo reverter o ritmo de queda.
Para consumidores, a expectativa é de melhoria gradual no acesso a crédito, sobretudo em modalidades de longo prazo, como financiamentos imobiliários. Já o setor produtivo aguarda a redução dos custos financeiros para retomar investimentos suspensos durante o período de juros altos.
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