A ata do Copom justificou o corte de 0,25 ponto na Selic, que ficou em 14% ao ano, por conta da desaceleração de preços. Mas enfatizou que a inflação está acima da meta e que juros devem permanecer restritivos.
A ata divulgada nesta terça-feira (11) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) detalhou os motivos que levaram à redução da taxa Selic para 14% ao ano. O documento mostrou que, apesar da trajetória de desaceleração dos preços, o ambiente ainda foi considerado carregado de incertezas e riscos.
Segundo o texto, as expectativas para a inflação permaneceram acima do centro da meta e, por isso, a decisão de cortar 0,25 ponto percentual nos juros foi acompanhada de um alerta sobre a necessidade de manter a política monetária em território restritivo por mais tempo.
A redução da taxa Selic é “compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta”.
A equipe técnica avaliou que os cortes contribuem para a estabilidade de preços, suavizam as oscilações da atividade e favorecem o pleno emprego, mas frisou que qualquer mudança de rota exigirá prudência.
No cenário de referência utilizado pelo Banco Central, a taxa de câmbio partiu de R$ 5,10 por dólar e variou conforme a paridade do poder de compra. Já as curvas de juros foram alinhadas às projeções do Boletim Focus.
O documento registrou que o Índice de Preços ao Consumidor recuou para 0,07% em julho, movimento que levou o indicador de volta ao intervalo de tolerância da meta. Ainda assim, a inflação ao consumidor continuou acima do limite superior, pressionada principalmente pela demanda interna aquecida.
Do lado da oferta, os preços ao produtor caíram, influenciados pelo setor extrativo, responsável por minérios, petróleo, gás natural e carvão. A queda, porém, não foi suficiente para mudar a avaliação de que o crédito direcionado em expansão e a incerteza sobre a estabilização da dívida pública podem elevar o custo do dinheiro para famílias e empresas — hoje em 64% ao ano, no caso dos empréstimos às famílias.
O Copom também chamou atenção para o ambiente externo. A ata apontou volatilidade nos mercados de ativos financeiros e commodities, alimentada pelos conflitos no Oriente Médio e pelas dúvidas sobre o curso da política monetária em economias avançadas. O cenário internacional, segundo o colegiado, manteve-se instável diante das indefinições sobre a política econômica dos Estados Unidos.
No front doméstico, foram identificados sinais de moderação gradual da atividade. A economia exibiu perda de fôlego em vários indicadores, mas o mercado de trabalho continuou apertado, com desemprego em níveis historicamente baixos. Mesmo em desaceleração, a renda real dos trabalhadores ainda subiu a um ritmo superior ao da produtividade.
Os rendimentos médios “ainda crescem em termos reais a uma taxa superior à da produtividade do trabalho”.
Diante desse quadro, a conclusão do Copom foi de que a política monetária já vinha colaborando para o processo de desinflação, mas o balanço de riscos — tanto internos quanto externos — justificou a manutenção de um grau elevado de cautela.
A próxima reunião do comitê ocorrerá dentro do intervalo regular de 45 dias. Até lá, a autoridade monetária informou que acompanhará com atenção a evolução dos dados de inflação, atividade econômica, crédito e cenário internacional para calibrar os próximos passos da Selic.
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