O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) encerrou julho com deflação marginal de 0,01%, sinalizando estabilidade dos preços na base mensal. No acumulado dos últimos 12 meses, o indicador alcançou 4,10%, variação que serve de referência para reajustes salariais de milhões de trabalhadores formais no país.
Os números foram divulgados em 11/08/2026 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa foi a primeira taxa negativa do INPC desde agosto de 2025, quando havia sido registrada queda de 0,21%. Mesmo com o recuo pontual, o índice soma alta de 3,50% de janeiro a julho de 2026.
No mesmo boletim, o IBGE também apresentou o resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Considerado a inflação oficial, o IPCA marcou 0,07% em julho e acumulou 4,44% em 12 meses, influenciado principalmente pela retração dos preços de alimentos.
O órgão oficial destacou que a diferença entre INPC e IPCA está no público-alvo de cada indicador. O INPC acompanha a variação de preços enfrentada por famílias com renda mensal de um a cinco salários mínimos, enquanto o IPCA monitora aquelas com rendimentos de até 40 salários mínimos. Atualmente, o salário mínimo é de R$ 1.621.
Nesse contexto, o peso de cada grupo de despesa também varia. No INPC, itens alimentícios representam aproximadamente 25% da cesta pesquisada, porcentual superior ao do IPCA, de cerca de 21%. Já despesas menos presentes no orçamento das famílias de menor renda, como passagens aéreas, têm impacto menor no INPC.
No total, o INPC abrange 367 subitens – dez a menos que o IPCA. A coleta de preços é realizada em dez regiões metropolitanas – Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre – além de Brasília, Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.
“Tem por objetivo a correção do poder de compra dos salários, através da mensuração das variações de preços da cesta de consumo da população assalariada com mais baixo rendimento”, descreveu o instituto ao explicar a metodologia.
A taxa acumulada em 12 meses do INPC serve de parâmetro para negociações salariais ao longo do ano. A fórmula que define o valor do salário mínimo nacional considera o desempenho do índice até novembro, enquanto benefícios como seguro-desemprego, teto do INSS e aposentadorias acima do piso seguem a variação observada até dezembro.
Analistas de mercado observam que a deflação pontual de julho ocorreu após movimento de baixa em alimentos in natura e desaceleração nos preços de combustíveis. Apesar da ligeira queda, o resultado ficou dentro das expectativas, reforçando a avaliação de que a trajetória anual da inflação permanece próxima ao centro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.
Especialistas ressaltam ainda que, para as famílias de menor renda, qualquer oscilação nos preços de alimentação e transporte repercute mais intensamente no orçamento mensal. Por isso, o acompanhamento do INPC segue fundamental para sindicatos e categorias profissionais que iniciam rodadas de negociação coletiva no segundo semestre.
As próximas leituras mensais deverão indicar se a deflação de julho foi pontual ou sinaliza tendência mais prolongada de alívio nos preços, fator que pode influenciar decisões de política monetária até o fim de 2026.
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