O mercado financeiro brasileiro respirou aliviado nesta quarta-feira (19). O dólar à vista recuou 0,86% e encerrou o pregão cotado a R$ 5,177, marcando a primeira sessão abaixo de R$ 5,20 em três dias. Ao longo da manhã, a moeda chegou a tocar R$ 5,15, acompanhando a desvalorização global provocada pelo novo plano do Tesouro dos Estados Unidos para ampliar operações de recompra de papéis de longo prazo.
Do outro lado, o Ibovespa interrompeu uma sequência de onze baixas consecutivas e subiu 0,90%, fechando aos 167.830,27 pontos. Na máxima, o principal índice da B3 superou os 170 mil pontos, mas perdeu força perto do fim do pregão. Mesmo com o rali de hoje, a curva mensal continua negativa, reflexo de incertezas domésticas e da recente fuga de capital externo.
O gatilho para a melhora foi o anúncio de que o Tesouro norte-americano poderá dobrar, de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões, o volume de cada recompra de títulos com vencimentos entre 10 e 30 anos. As operações estão previstas para ocorrer de 9 de setembro a 4 de novembro. Ao sinalizar apoio ao mercado de renda fixa, a medida reduziu os rendimentos dos Treasuries longos e estimulou a busca global por ativos considerados mais arriscados, como ações e moedas de países emergentes.
Com a mudança de humor, o índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes, recuava 0,87% no fim da tarde, aos 98,793 pontos. O real aproveitou a janela positiva, mas ainda acumula alta de 1,83% na semana e de 2,09% em agosto. Em julho, vale lembrar, a divisa havia caído 1,79%.
No pregão acionário, papéis de peso — especialmente de petroleiras, mineradoras e grandes bancos — puxaram a recuperação. Antes da virada, o Ibovespa perdera 6,55% em onze sessões, a pior sequência desde 2023.
Também esteve no radar a ata da reunião de julho do Federal Reserve, divulgada pela manhã. O documento indicou que vários integrantes do comitê de política monetária ponderavam elevações adicionais de juros caso a inflação não convergisse para a meta de 2%. O conteúdo, porém, teve efeito limitado, ofuscado pelo alívio gerado pelo Tesouro.
Apesar do dia mais tranquilo, analistas afirmam que fatores domésticos seguem pressionando os ativos locais. Juros ainda elevados, incertezas sobre o cenário eleitoral e fluxo cambial negativo continuam a exigir cautela. Até 17 de agosto, o saldo anual de investimento estrangeiro na bolsa estava negativo em R$ 18,6 bilhões, mostrando que a recuperação de hoje, embora relevante, não neutraliza a tendência recente.
Especialistas destacam que a combinação entre condições externas e ruídos internos pode manter a volatilidade elevada nas próximas semanas. No curto prazo, entretanto, a perspectiva de maior liquidez no mercado de títulos norte-americanos tende a sustentar o apetite por risco e a favorecer moedas como o real.
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