Banco Central fixa 1º/03/2027 para novas regras do Pix, proibindo promoções nos comprovantes. O MED terá procedimentos mais rápidos para contestar transações suspeitas e reduzir golpes.
O Banco Central divulgou, nesta quinta-feira (03/09), uma atualização abrangente das regras de experiência e segurança do Pix. O conjunto de mudanças, que passa a valer em 1º de março de 2027, estabelece a proibição de qualquer conteúdo promocional nos comprovantes de pagamento e aperfeiçoa o processo de contestação de transações suspeitas pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED). Segundo o BC, o objetivo é tornar os recibos mais seguros e reduzir a exposição dos usuários a golpes que utilizam links maliciosos ou ofertas enganosas.
Atualmente, algumas instituições acrescentam mensagens de marketing ou hiperlinks nos comprovantes. Com a nova regra, essa prática será eliminada. A autoridade monetária entende que, quanto mais enxuto for o documento, menor a chance de o usuário clicar em endereços falsos ou compartilhar informações sensíveis sem perceber.
O que muda nos comprovantes
- Proibidos propagandas
- Proibidos conteúdos publicitários
- Proibidas ofertas comerciais
- Proibidos hiperlinks
- Proibido qualquer dado não relacionado à transação
Na prática, o documento ficará restrito a valores, datas, chaves Pix envolvidas, identificadores de transação e outros elementos indispensáveis para fins de comprovação.
Ajustes no Mecanismo Especial de Devolução (MED)
Instituído em outubro de 2025, o MED permite bloquear e eventualmente devolver recursos transferidos em casos de fraude. As telas de contestação serão redesenhadas para linguagem mais simples, a fim de auxiliar o usuário a classificar o problema com precisão.
Funcionalidades previstas
- Explicar em detalhes o ocorrido
- Contextualizar a transação questionada
- Anexar documentos de apoio
- Anexar comprovantes adicionais
Essas informações ficarão disponíveis tanto para a instituição da vítima quanto para o banco que recebeu os valores, facilitando a análise do caso.
Situações fora do MED
O BC reforça que o mecanismo não serve como ferramenta geral de reembolso. Ele se aplica apenas a fraudes. Problemas de compra sem indício de golpe devem seguir outros canais de atendimento.
Exemplos típicos
- Produto não entregue no prazo combinado
- Mercadoria diferente da esperada
- Insatisfação com qualidade de serviço ou item adquirido
Prazos mantidos
O consumidor continuará tendo até 80 dias após a transação para abrir a contestação. A instituição financeira dispõe de 11 dias para avaliar o pedido e comunicar os próximos passos. A devolução depende, entre outros fatores, da existência de saldo na conta do destinatário e da confirmação de que houve fraude.
Contatos favoritos ganharão alerta
A funcionalidade de contatos favoritos, usada para acelerar pagamentos recorrentes, também receberá reforço de segurança. As instituições deverão armazenar a chave Pix vinculada ao contato e notificar o cliente caso a identificação do recebedor seja alterada antes de um novo pagamento. Para o BC, a medida aumenta a transparência e reduz o risco de redirecionamento de recursos para contas fraudulentas.
As instituições financeiras têm agora um cronograma de pouco mais de seis meses para adaptar sistemas, fluxos internos e interfaces de usuário. De acordo com a autoridade monetária, a evolução do Pix busca equilibrar simplicidade de uso e mecanismos robustos de proteção, assegurando a confiança do público no meio de pagamento instantâneo mais popular do país.
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