A produção industrial brasileira voltou a cair em agosto, recuando 0,6% ante julho, segundo a Pesquisa Industrial Mensal. Nos últimos quatro meses, o setor soma retração de 3,1%.
A atividade das fábricas no país voltou a encolher. Dados da Pesquisa Industrial Mensal mostraram que a produção recuou 0,6% em agosto frente a julho. A queda sucede uma ligeira alta de 0,1% registrada no mês anterior e aprofunda o quadro negativo observado em maio (-1%) e junho (-1,6%).
Com o resultado de agosto, a indústria soma retração de 3,1% nos últimos quatro meses, devolvendo boa parte dos ganhos de 4,3% obtidos no primeiro quadrimestre do ano. Na comparação com agosto de 2025, o desempenho também foi pior: retração de 1,2%. A média móvel trimestral apontou perda de 0,7%.
Apesar do cenário adverso no curto prazo, os números apontaram crescimento modesto no acumulado do ano (+0,8%) e nos últimos 12 meses (+0,6%). Mesmo assim, o setor ainda opera 15,6% abaixo do pico histórico de maio de 2011, embora permaneça 1,3% acima do nível pré-pandemia de fevereiro de 2020.
A retração foi generalizada entre as quatro grandes categorias econômicas. Os bens de consumo semi e não duráveis lideraram as perdas (-1,7%), seguidos pelos bens de consumo duráveis (-1%). A produção de bens de capital — máquinas e equipamentos destinados à cadeia produtiva — caiu 0,6%, enquanto os bens intermediários recuaram 0,2%.
O levantamento identificou queda em 16 dos 25 ramos acompanhados. Os recuos mais expressivos ocorreram em produtos do fumo (-23,4%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-5,5%) e indústrias extrativas (-0,7%). Entre as nove atividades que cresceram, destacaram-se produtos alimentícios (+1%), produtos diversos (+8,4%), produtos químicos (+0,9%) e metalurgia (+0,8%).
O pesquisador André Macedo avaliou que o resultado confirma a perda de fôlego observada no segundo quadrimestre, influenciada principalmente pelo custo do crédito.
“A política monetária com essa característica mais restritiva, embora já se observe cortes na taxa de juros, mas ainda em patamares elevados, tem impactos diretos sobre inadimplência de empresas e famílias e reduz a renda disponível, o que faz com que as empresas adiem investimentos”, afirmou.
Macedo acrescentou que o mercado de trabalho segue resiliente, com número recorde de pessoas ocupadas e avanço na massa de rendimentos. Mesmo assim, o comprometimento da renda das famílias e o adiamento de planos de expansão por parte das companhias contribuem para o freio na produção.
O balanço comprova que, apesar de avanços pontuais, a indústria nacional enfrenta desafios para retomar um ritmo sustentado, em meio a crédito caro e incertezas sobre a demanda interna.
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