A empresa Art & C Comunicação Integrada Ltda, contratada sem licitação por R$ 2,5 milhões pela prefeitura de Aracaju, através da Secretaria Municipal de Comunicação para prestar serviços de campanha de publicidade durante a pandemia da covid-19, tem como sócio-administrador, Arturo Silveira Dias de Arruda, citado na Operação Lava-Jato por suposta lavagem de dinheiro ilícito em campanha eleitoral no estado do Rio Grande do Norte, em 2014.
No processo do Ministério Público Federal do Rio Grande do Norte (MPF-RN), analisado pelo AjuNews, a empresa Art & C Marketing Político Ltda, inscrita no mesmo CNPJ da Art & C Comunicação Integrada Ltda de propriedade de Arturo Silveira Dias de Arruda Câmara, transferiu em 2014 para o ex-deputado federal pelo MDB do Rio Grande do Norte, Henrique Alves, mais R$ 1 milhão, revertidos em favor da família do candidato. Naquele ano, Henrique Alves disputou a governo do potiguar, mas foi derrotado no segundo turno por Robinson Faria (PSD).
Arruda Câmara teria usado a campanha de Henrique Eduardo Lyra Alves ao Governo do Estado do Rio Grande do Norte em 2014 como mecanismo de lavagem de dinheiro proveniente do crime de corrupção passiva. Foram utilizadas empresas familiares, empresas de aliados políticos e empresas de fachada (sem existência de fato e constituídas em nome de “laranjas”) para justificar, ocultar e dissimular, em prestação de contas eleitoral, a utilização de recursos de origem e destinação ilícitas (em proveito pessoal, em compra de votos e de apoio político) pela campanha em questão.
Constatou-se significativa soma de valores sacados em espécie, bem como transferências para políticos ou pessoas politicamente relacionadas, evidenciando, no caso, ilicitude não só na obtenção de doações eleitorais, mas também em despesas de campanha.
Na quinta-feira (04), a reportagem tentou contato por telefone com a empresa Art & C Comunicação Integrada Ltda com sede na capital sergipana, mas não obteve sucesso. No mesmo dia, ligou para matriz da empresa no estado do Rio Grande do Norte, mas também não obteve sucesso. Nesta segunda, após a publicação, a assessoria da empresa enviou uma nota negando envolvimento com a Lava Jato (clique aqui).
Também na quinta, solicitou da prefeitura de Aracaju um posicionamento sobre os critérios adotados para contratação dessa e das outras empresas, porém até a publicação não obteve resposta.
No final da tarde de quinta-feira, o secretário de comunicação de Aracaju, Carlos Cauê, comunicou à imprensa que encaminhou cópias da documentação da contratação de empresas publicitárias feita pela prefeitura de Aracaju ao Tribunal de Contas de Sergipe (TCE-SE), ao Ministério Público do Estado (MP-SE) e a Controladoria-Geral do Município (CGM).
“Foram encaminhados todos os autos da dispensa e dos contratos emergenciais para o monitoramento da internet; para a continuidade de registro para o banco de imagens da PMA e a realização de campanhas com o fim exclusivo de orientar e informar a população sobre o combate à pandemia”, disse.
“São atos públicos cujos teores, além dos próprios órgãos de controle, também estão à disposição de toda a sociedade e de todo cidadão”, afirmou Cauê.
Atualizada às 17h34
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