O presidente Jair Bolsonaro, em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada nesta quinta-feira (28), desautorizou o vice-presidente Hamilton Mourão a comentar sobre a expectativa de uma reforma ministerial após a eleição das presidências da Câmara e do Senado e a possível demissão do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. De acordo com o jornal O Globo, Bolsonaro afirmou que só ele troca ministro e que tudo o que o governo não precisa neste momento é de “palpiteiro”.
Mourão havia tornado pública a expectativa de uma reforma ministerial na quarta-feira (27). Na declaração, no entanto, disse que o assunto não foi discutido com ele. Segundo a publicação, o presidente disse: “Se alguém quiser escolher ministro, se candidate em 22 e boa sorte em 23”.
Ao ser questionado por um apoiador se tinha informação sobre troca de ministros, Bolsonaro ironizou dizendo que não sabia das alterações no primeiro escalão, que já são discutidas nos bastidores do Planalto e por líderes partidários do Centrão. “Não estou sabendo, não. Tem que perguntar para ele. Mas obrigada pela pergunta aí”, respondeu. Em seguida completou: “Quem troca ministro é presidente da República, certo? Agora é difícil governar o Brasil. Não é fácil, mas tudo bem. Não vou responder essa pergunta não”.
O presidente disse ainda que o assunto deveria ser levado a sério e que dos atuais 23 ministros, há a expectativa de apenas uma troca, referindo ao subchefe de Assuntos Jurídicos, Pedro César Nunes, que assumiu interinamente a Secretaria-Geral da Presidência. “O vice falou que eu estou para trocar o chefe do Itamaraty. Quero deixar uma coisa bem clara. Tenho 22 ministros efetivos e um que é interino. Aí que nós podemos ter realmente um nome diferente ou a efetivação do atual. Nada mais além disso”, explicou.
Segundo o jornal, o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, é cotado para assumir o posto. Assim, a pasta que controla o Bolsa Família e pagou o auxílio emergencial fica disponível para ser entregue ao Centrão. O Republicanos, ligado à Igreja Universal, já discute internamente a indicação de um nome para substituir Onyx.
Bolsonaro finalizou dizendo que toda semana recebe informações da mídia sobre mudança de ministro, mas disse que tudo não passa de tentativa de “semear a discórdia no governo”.
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