A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou que lançará, em agosto, um pacote de R$ 130 milhões para ampliar a presença de produtos brasileiros em novos destinos e reduzir a dependência das vendas aos Estados Unidos, país que adotou tarifas extras sobre parte do comércio do Brasil.
Vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a ApexBrasil informou que o programa será construído em parceria com 57 segmentos da economia nacional, envolvendo 2,4 mil empresas exportadoras. A medida surge após o Escritório do Representante Comercial norte-americano confirmar, no dia 15/07, sobretaxa de 25% sobre vários itens brasileiros, alegando práticas consideradas “desleais”.
“A expansão para outros mercados a gente já faz. O que vamos trabalhar agora é a diversificação, um novo olhar sobre oportunidades diante do cenário do comércio internacional”, explicou o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, em entrevista coletiva nesta sexta-feira.
As ações prioritárias miram a União Europeia, impulsionadas pelo recente acordo com o Mercosul, e os países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) — Indonésia, Malásia, Tailândia, Vietnã, entre outros. Na lista também aparecem Cazaquistão e Uzbequistão, mercados da Ásia Central com economias em rápido crescimento.
“São países de alto crescimento, com população jovem que demanda produtos que o Brasil tem”, reforçou Müller.
As tarifas passarão a vigorar em 22/07. Em 2025, os itens agora taxados renderam US$ 7,2 bilhões em embarques aos EUA, parte dos US$ 38 bilhões exportados no ano. Durante as negociações, a lista de produtos isentos subiu de 615 para 699, representando hoje US$ 22,8 bilhões livres da nova cobrança.
Preços vistos na Amazon em 17/08 e sujeitos a alteração. Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
Mesmo com o aperto, o fluxo de comércio brasileiro mostrou resiliência. Dados da ApexBrasil apontam que no primeiro semestre houve queda de US$ 2,6 bilhões nas vendas aos EUA, mas alta de US$ 3,1 bilhões para a Europa, US$ 2,5 bilhões para a Índia e expressivos US$ 10,5 bilhões para a China.
A diversificação, segundo Müller, já está em curso desde 2025, quando começaram as primeiras barreiras tarifárias impostas por Washington. Atualmente, 72% das empresas brasileiras que exportam para o mercado norte-americano e contam com apoio da agência já adicionaram, entre junho de 2025 e maio de 2026, ao menos um novo destino para seus produtos.
“Alguns setores conseguem abrir portas rapidamente; outros exigem esforço de médio ou longo prazo. Em certos casos, precisamos até criar o mercado, como ocorre ao apresentar tipos específicos de rochas brasileiras ao mercado chinês”, detalhou o presidente.
Além da União Europeia e da Asean, as negociações do Mercosul com Índia, Japão e Canadá aparecem como rotas promissoras para reduzir a dependência do mercado estadunidense. A ApexBrasil também destaca a reputação do país como parceiro confiável e receptor relevante de investimentos estrangeiros: em 2025, o Brasil somou US$ 77 bilhões em aportes, ocupando o quinto lugar no ranking global.
Para as empresas, o pacote de R$ 130 milhões deve financiar missões comerciais, feiras internacionais, estudos de mercado e ações de posicionamento de marca. A agência promete detalhar, em agosto, o cronograma de execução e os critérios para adesão.
Com a combinação de tarifas norte-americanas e busca por novos parceiros, o governo aposta que a diversificação reduzirá riscos e ampliará oportunidades para a indústria nacional no médio prazo.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.








