Rogério Tomaz Jr. foi barrado no Aeroparque e deportado ao Brasil nesta segunda (12/10). A Direção Nacional de Migrações afirma ter revogado sua residência permanente e imposto veto de reingresso por cinco anos, com base em decreto de 2025.
O jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr. relatou ter sido impedido de entrar na Argentina nesta segunda-feira, 12/10, logo após desembarcar no Aeroporto Jorge Newbery (Aeroparque), em Buenos Aires. Segundo ele, agentes da Direção Nacional de Migrações (DNM) informaram que sua residência permanente foi revogada e que um veto de reingresso ao país vigorará pelos próximos cinco anos.
Documentos entregues pelas autoridades migratórias, compartilhados pelo próprio profissional em aplicativo de mensagens, indicam que a medida se baseou em um decreto de 2025 que autoriza o cancelamento do benefício quando condições previstas na concessão deixam de ser cumpridas. O jornalista, radicado em Brasília e com residência permanente desde janeiro de 2022, contestou a justificativa. Ele afirma que seu registro tinha validade até 2037 e alega ter viajado diversas vezes ao território argentino, totalizando 36 dias de permanência apenas em 2026.
Tomaz atribui o episódio a possíveis motivações políticas, citando embates virtuais recentes com militantes e funcionários ligados ao governo do presidente Javier Milei. Entre julho e agosto, o brasileiro travou discussões públicas nas redes sociais com integrantes do núcleo digital do governo, incluindo o diretor de Comunicação Digital da Presidência, Juan Pablo Carreira, conhecido como Juan Doe.
“Se trata realmente de uma questão política”, declarou o jornalista em áudio enviado a amigos enquanto aguardava o retorno ao Brasil.
De acordo com o relato, o procedimento migratório transcorreu de forma cordial, sem acusações criminais ou registros de mau trato. Ainda assim, a DNM manteve o cancelamento e a proibição de reingresso. A decisão, informou o brasileiro, é passível de recurso, mas ele avalia ser difícil reaver o status de residente permanente.
O veto surpreende especialmente porque, em janeiro de 2022, a própria autoridade migratória havia confirmado a residência de Tomaz. Na nova decisão, o órgão sustenta que o jornalista deixou de “manter residência efetiva” por período superior ao admitido, argumento contestado pelo profissional.
O episódio surge em meio a tensões políticas na Argentina. Neste ano, o Executivo publicou outro decreto que barra a entrada e autoriza a expulsão de estrangeiros acusados de “mensagens de ódio” contra cidadãos argentinos. Para Tomaz, a deportação dialoga com esse ambiente.
“A Argentina, que a gente no Brasil todo mundo sabe da derrocada socioeconômica, crise, recessão, fechamento de empresas, destruição de empregos, também está junto no pacote da extrema direita a derrocada civil, a escalada autoritária”, disse ele.
O jornalista pretendia permanecer alguns dias em Buenos Aires para coletar imagens e informações sobre a situação econômica local, material que utilizaria em um livro previsto para fevereiro de 2027 sobre o governo Milei. Em vez disso, embarcou em voo de retorno a São Paulo e seguiu para Brasília na tarde de hoje.
Entidades representativas da categoria manifestaram repúdio. Em nota conjunta, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) classificaram a expulsão como ataque à liberdade de imprensa.
“A democracia argentina e a brasileira merecem respeito. Nenhum governo tem o direito de perseguir, deter ou expulsar jornalistas pelo simples exercício de sua profissão”, afirma o comunicado.
Até o momento, não há confirmação oficial de que as críticas públicas a integrantes do governo tenham sido determinantes para o cancelamento da residência. O jornalista avalia os próximos passos judiciais, mas admite que a volta definitiva a território argentino dependerá da revisão administrativa da DNM ou de decisão judicial favorável.
Com a medida, Tomaz ficará impedido de retornar à Argentina até, pelo menos, 2031, salvo mudança no status migratório ou concessão de permissão especial. Enquanto isso, prosseguirá a produção do livro e o acompanhamento da política argentina a partir do Brasil.
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