O Tesouro Nacional informou em 29/07 que o estoque da dívida passou de R$ 8,798 trilhões em maio para R$ 9,033 trilhões em junho, alta de 2,66%. O avanço foi puxado por títulos indexados à Selic.
A Dívida Pública Federal (DPF) ganhou volume em junho e superou a marca de R$ 9,2 trilhões, conforme dados divulgados em 29/07 pelo Tesouro Nacional. O estoque passou de R$ 8,798 trilhões em maio para R$ 9,033 trilhões, avanço de 2,66% em apenas um mês. A trajetória de crescimento mantém a dívida dentro das estimativas traçadas no Plano Anual de Financiamento (PAF), que projeta um intervalo entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões para o fim de 2026.
O principal impulso veio das emissões de títulos atrelados à taxa Selic. Em junho, o Tesouro lançou R$ 149,49 bilhões em papéis da Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi), dos quais R$ 102,57 bilhões seguiram a variação da Selic. Os resgates, por outro lado, somaram apenas R$ 6,14 bilhões, configurando um mês com baixa concentração de vencimentos e ampliando o colchão de liquidez.
Além do fluxo líquido positivo, a apropriação de juros adicionou R$ 85,16 bilhões ao estoque. Esse mecanismo reconhece, mês a mês, a correção devida aos investidores e pressiona o endividamento em cenário de Selic a 14,25% ao ano.
A DPMFi totalizou R$ 8,921 trilhões, alta de 2,72% frente a maio. Já a Dívida Pública Federal externa (DPFe) avançou 2,12%, para R$ 347,71 bilhões, influenciada pela valorização de 2,37% do dólar no período.
Com as emissões superando os resgates, o colchão da dívida – reserva financeira que serve de proteção em momentos de turbulência – subiu para R$ 1,346 trilhão, o maior nível desde o início da série histórica, em 2015. A reserva cobre 8,33 meses de vencimentos, enquanto R$ 1,86 trilhão têm vencimento previsto nos próximos 12 meses.
A composição da DPF variou de maio para junho da seguinte forma: participação dos títulos ligados à Selic aumentou de 48,99% para 49,32%; os corrigidos pela inflação recuaram de 26,26% para 25,9%; prefixados oscilaram de 21% para 21,04%; e os vinculados ao câmbio cederam de 3,75% para 3,74%. As faixas projetadas pelo PAF para 2026 permanecem inalteradas, indicando espaço para ajustes conforme as condições de mercado.
O prazo médio da dívida caiu de 4,07 para 4,01 anos, refletindo preferência de investidores por prazos mais curtos em ambiente de incerteza. Em relação aos detentores, a composição ficou assim: instituições financeiras respondem por 31,76% do total; fundos de pensão, 22,52%; fundos de investimentos, 22%; não residentes, 9,95%; e demais grupos, 13,77%. A participação estrangeira diminuiu em comparação a maio, quando representava 10,14%.
Ao recorrer ao mercado, o governo capta recursos que serão devolvidos ao longo do tempo com remuneração prefixada, vinculada à Selic, à inflação ou ao câmbio. O equilíbrio entre essas modalidades influencia tanto o custo do endividamento quanto a previsibilidade do serviço da dívida.
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