Na sexta (23), o mercado fechou com o dólar a R$4,993 (-0,92%) e o Ibovespa em alta. O petróleo subiu mais de 3%, ao nível mais alto desde abril, em meio a tensões no Oriente Médio e ajustes antes do segundo turno.
O mercado financeiro encerrou o pregão desta sexta-feira (23) com o dólar abaixo da barreira de R$ 5 e o Ibovespa em alta, num cenário marcado tanto pelo ajuste de posições antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25), quanto pela escalada dos preços do petróleo no exterior. Os contratos da commodity subiram mais de 3% e atingiram o patamar mais alto desde abril em meio ao agravamento de tensões no Oriente Médio.
No câmbio, o dólar comercial caiu 0,92%, cotado a R$ 4,993. Ao longo da sessão, a moeda chegou a tocar a mínima de R$ 4,989, nível que não era visto desde 9 de outubro, quando fechou em R$ 4,985. Mesmo com a valorização global da divisa norte-americana — o índice DXY avançou 0,19%, para 101,799 pontos — o real registrou o melhor desempenho entre as principais moedas, sustentado pela entrada de fluxo estrangeiro e pela expectativa de investidores locais em relação ao resultado das urnas.
Na comparação semanal, o dólar acumulou desvalorização de 1,58%, revertendo parcialmente a alta de 1,77% verificada na semana anterior. Analistas apontaram que parte desse movimento reflete a busca por proteção em ativos considerados mais seguros, já que a proximidade da eleição costuma ampliar a volatilidade nos mercados.
Números do dia
- Dólar à vista: R$ 4,993 (-0,92%)
- Dólar na semana: queda de 1,58%
- Ibovespa: 205.082,56 pontos (+0,47%)
- Ibovespa na semana: queda de 0,17%
- Petróleo Brent: US$ 116,72 (+3,13%)
- Petróleo WTI: US$ 103,27 (+3,82%)
Na B3, o Ibovespa avançou 0,47%, encerrando aos 205.082,56 pontos, com volume financeiro de R$ 30,7 bilhões. O resultado positivo da sessão não impediu leve retração de 0,17% no acumulado semanal, reflexo da cautela que predominou nos dias anteriores. No mês de outubro, porém, o índice já contabiliza valorização de 10,06%, enquanto no acumulado de 2026 sobe 27,28%.
A valorização das ações de petroleiras e mineradoras foi destaque, acompanhando o salto dos preços do petróleo e do minério de ferro. Os contratos do Brent para dezembro fecharam a US$ 116,72 o barril, alta de 3,13%; já o WTI avançou 3,82%, para US$ 103,27. Na comparação com a sexta-feira passada, as referências subiram 6,24% e 4,29%, respectivamente.
Operadores atribuíram o avanço das cotações energéticas à possibilidade de interrupções no fornecimento global caso os conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel, Irã e grupos rebeldes se intensifiquem. Autoridades iranianas sinalizaram que poderão retaliar eventuais novos ataques atingindo bases militares ou alvos navais em países vizinhos do Golfo Pérsico. Paralelamente, confrontos na região envolvendo os houthis e a Arábia Saudita reforçaram o temor de desestabilização na oferta.
Nos Estados Unidos, o Departamento de Energia anunciou medidas para utilização pontual da Reserva Estratégica de Petróleo, de forma a tentar equilibrar o mercado diante da queda nos estoques comerciais registrada nas últimas semanas. A iniciativa, porém, não conteve o movimento de alta.
Com a segunda etapa da eleição no radar e os preços das commodities em patamares elevados, agentes financeiros seguem monitorando tanto o noticiário político doméstico quanto as tensões geopolíticas externas. A expectativa é de que a volatilidade persista até que o resultado das urnas aponte o caminho da política econômica brasileira para os próximos anos.
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