Na quarta (22/07), o dólar recuou 0,42%, encerrando a R$5,053 — menor fechamento desde 2 de junho. A Bolsa avançou 2,44%, a 177.547,57 pontos, impulsionada pela alta do petróleo Brent e WTI no exterior.
O mercado financeiro brasileiro teve uma quarta-feira, 22/07, marcada pela combinação de câmbio em queda e forte recuperação da Bolsa. O dólar comercial recuou 0,42% e terminou negociado a R$ 5,053, o menor patamar de encerramento desde 02/06. Ao mesmo tempo, o Ibovespa avançou 2,44%, encerrando o pregão em 177.547,57 pontos e interrompendo uma sequência de cinco sessões negativas.
A valorização internacional do petróleo — o Brent subiu 3,36% e fechou a US$ 94,07 o barril, enquanto o WTI ganhou 2,95% para US$ 86,83 — teve peso decisivo no humor dos investidores. Com o barril novamente próximo de US$ 95, aumentaram as perspectivas de receitas para exportadores brasileiros de óleo bruto, o que, na leitura dos investidores, melhora a balança comercial e fortalece o real.
A entrada de capital estrangeiro foi outro vetor citado por operadores. A diferença entre os juros locais e as taxas norte-americanas manteve o país atraente para posições em renda fixa e em ações. Dados do Banco Central mostraram fluxo cambial positivo de US$ 17,946 bilhões no acumulado de 2026 até julho, superior ao saldo observado em igual período do ano passado.
No pregão acionário, as blue chips ligadas a commodities puxaram os ganhos. Os papéis ordinários da Petrobras subiram 2,39%, enquanto as ações preferenciais avançaram 2,21%, espelhando a disparada do petróleo. Mineradoras e grandes bancos também contribuíram para o desempenho do índice.
Analistas observaram que, mesmo com a tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras entrando em vigor, o impacto sobre o câmbio foi limitado. Para esses profissionais, o mercado já precificava o imposto e se concentrou nos movimentos de preços das commodities e na procura global por ativos de mercados emergentes.
No início do dia, a divisa norte-americana chegou a testar alta, mas a curva se inverteu após a abertura do pregão de ações. No exterior, moedas de outros grandes exportadores de matérias-primas também se fortaleceram diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que elevaram prêmios de risco sobre a oferta de petróleo.
No acumulado de 2026, o dólar registra queda de 7,95%, enquanto o Ibovespa avança 10,19%. Operadores seguem atentos ao noticiário internacional: o aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã acendeu alertas para eventuais bloqueios nos estreitos de Ormuz e Bab-el-Mandeb, rotas estratégicas para o transporte de petróleo. Até agora, contudo, a percepção predominante é de que um choque grave de oferta permanece no campo das possibilidades, não da realidade imediata.
Entre os indicadores internos, a perspectiva de manutenção de juros elevados segue reforçando o chamado carry trade, estratégia em que investidores tomam recursos em moedas de países desenvolvidos a taxas mais baixas e aplicam em títulos brasileiros. Gestores argumentam que, enquanto a trajetória dos juros dos EUA permanecer incerta e o prêmio doméstico se mantiver elevado, o real tende a continuar beneficiado.
No exterior, os principais índices de Wall Street recuaram, mas a correlação negativa com a Bolsa brasileira se manteve: o S&P 500 cedeu diante de novos balanços corporativos, enquanto a B3 ganhou tração graças a valuations considerados atrativos por estrangeiros.
Para as próximas sessões, profissionais do mercado monitoram dados de inflação nos EUA, a divulgação do IPCA-15 no Brasil e eventuais desdobramentos diplomáticos envolvendo Oriente Médio. Apesar das incertezas, o fechamento abaixo de R$ 5,10 é visto como tecnicamente importante; algumas casas já enxergam espaço para o dólar testar patamares próximos de R$ 5,00 se a entrada de recursos continuar robusta.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.









