O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou nesta sexta-feira, 17, em São Paulo, que o governo brasileiro analisa cuidadosamente quais instrumentos de reciprocidade poderá adotar frente à sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos nacionais na quinta-feira, 16. Segundo o titular da pasta, a prioridade é proteger a economia sem recorrer a medidas precipitadas.
“Não cabe falar em retaliação, essa é uma palavra que está fora do nosso escopo”, afirmou Durigan. “Trabalhamos com a lei aprovada por unanimidade no Congresso, que prevê um procedimento próprio para casos de ataque injustificado ou unilateral”.
A chamada Lei de Reciprocidade, citada pelo ministro, permite ao Executivo aplicar contramedidas quando houver barreiras consideradas abusivas. O Ministério da Fazenda, porém, sinalizou que qualquer resposta será calibrada no “tempo correto”, após diálogo com o setor privado. Empresários de segmentos afetados – concentrados principalmente em São Paulo e Santa Catarina, que respondem por 52% do impacto estimado – participam das discussões.
Durigan classificou a sobretaxa como “injusta” e sem amparo econômico. De acordo com ele, a Casa Branca não apresentou argumentos consistentes que justificassem a elevação tarifária sobre o Brasil.
“Se não há um contra-argumento, mantemos a convicção de que temos razão. Não vamos baixar a cabeça; continuaremos no debate técnico”, disse.
O ministro observou ainda que o Brasil registra déficit na balança comercial com os norte-americanos, cenário que, na sua avaliação, enfraquece a tese de práticas desleais mencionada pela gestão Donald Trump. Apesar do contexto adverso, Durigan destacou que a economia brasileira está consolidada, permitindo ao governo adotar medidas para resguardar consumidores, a exemplo do que ocorreu no episódio dos combustíveis.
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Ele acusou Washington de ignorar discussões setoriais e aplicar uma “punição geral” ao país. Sobre as alegações de práticas ambientais irregulares, afirmou serem “totalmente falsas” e fruto de uma visão ultrapassada sobre a realidade brasileira.
O chefe da equipe econômica garantiu que seguirá negociando diretamente com autoridades norte-americanas nos próximos meses, levando a insatisfação do Planalto em busca de consenso.
“O esforço não deixará de ser feito. Assim que tiver oportunidade, levarei nossos argumentos, com respeito, para mostrar o quanto isso prejudica a relação bilateral”.
Durigan também rechaçou a inclusão do Pix nas tratativas comerciais. A infraestrutura de pagamentos instantâneos, criada pelo Banco Central, foi apontada por representantes dos EUA como possível fonte de concorrência desleal.
“O Pix não está em negociação. É serviço público, aberto, que ampliou transações no país. Classificá-lo como prática desleal é um completo absurdo”, criticou.
Para o ministro, a tarifa adotada pela Casa Branca carrega forte componente político-eleitoral. Ele lamentou que vozes internas no Brasil apoiem a medida para fins de capital eleitoral, o que, segundo ele, vai contra interesses de empresas e trabalhadores que dependem do mercado norte-americano.
No momento, a equipe econômica finaliza relatórios técnicos para apresentar ao presidente, avaliando qual grau de reciprocidade aplicar e em quais setores. Enquanto o cenário não se define, Durigan reforçou que o ambiente macroeconômico segue estável e destacou o compromisso de sua pasta com a manutenção da trajetória positiva de crescimento.
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