Nesta terça-feira (14), o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, detalhou a decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) de elevar o teor de etanol anidro misturado à gasolina de 30% para 32% a partir de 1º de agosto. A mudança, válida inicialmente por 180 dias, poderá ser prorrogada por igual período.
De acordo com o ministro, a alteração deve promover um alívio imediato no bolso do consumidor. A projeção oficial é de redução de R$ 0,03 no preço médio do litro do combustível.
“Barateia em R$ 0,03, mas, principalmente, diminui a nossa dependência da importação de gasolina”, destacou Silveira.
O titular da pasta ressaltou que o aumento do etanol na mistura faz parte de uma estratégia mais ampla para aproveitar a capacidade brasileira de produzir biocombustíveis e, simultaneamente, reduzir a necessidade de importar derivados de petróleo. Na avaliação dele, o impacto fiscal é praticamente nulo, já que o acréscimo de álcool não exige subsídio adicional do governo.
Apesar de a resolução prever caráter provisório, Silveira sinalizou que o novo índice E32 pode se tornar definitivo, caso os resultados de consumo e desempenho mostrem-se positivos. Para sustentar a decisão, o Instituto Mauá de Tecnologia realizou testes em veículos leves e motocicletas — inclusive modelos que não dispõem de motores flex — e concluiu que os 32% não comprometem o funcionamento dos motores.
“A transitoriedade dos 32% é um excesso de zelo. Estamos completamente seguros quanto a avançarmos até o E32, e a transitoriedade é só uma maneira de nos precavermos”, explicou o ministro.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) continuará coordenando ensaios para avaliar teores ainda maiores, como o E35. Entretanto, qualquer nova elevação dependerá não apenas de resultados técnicos, mas também de viabilidade econômica.
“Quando estiver economicamente viável, a gente aumenta. Se piorar, a gente diminui”, acrescentou Silveira.
Especialistas do setor de combustíveis avaliam que a medida pode incentivar ainda mais a produção de etanol em usinas sucroalcooleiras, sobretudo no Centro-Sul. Produtores esperam aumento de demanda enquanto consumidores aguardam o repasse do desconto nas bombas.
O governo estima que, mantido o E32 pelos 180 dias iniciais, aproximadamente 1,2 bilhão de litros adicionais de etanol serão absorvidos pelo mercado interno, o que representa ganho direto para a cadeia produtiva do biocombustível. Já o mercado de gasolina tende a recuar em volume equivalente, diminuindo pressões sobre a balança comercial energética.
Em paralelo, a pasta de Minas e Energia monitora a cotação internacional do petróleo. Mesmo com sucessivas altas recentes, o ministério sustenta que a política de preços da Petrobras e a maior participação do etanol devem amortecer eventuais repasses ao consumidor final.
Por ora, a orientação oficial para os postos é adequar seus estoques até o fim de julho, de modo a garantir que a nova mistura esteja disponível a partir de 1º de agosto. Fiscalizações da ANP vão verificar a conformidade do produto na saída das refinarias e na revenda.
Embora a redução de três centavos pareça modesta, representantes de distribuidoras lembram que, somada a impostos estaduais congelados, a medida ajuda a conter oscilações mais bruscas ao longo do segundo semestre.
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