Autoridades federais anunciam reforço nas operações no Oeste do Pará, com 522 brigadistas do Ibama e do ICMBio, 41 veículos terrestres e uso de aeronaves. Órgãos de segurança também darão apoio em áreas de conflito.
O governo federal anunciou nesta quinta-feira (22) que vai intensificar as ações de resposta aos incêndios florestais no Pará. As operações vão se concentrar na região Oeste do estado, com uso de aeronaves para combate direto às chamas, reforço das equipes de brigadistas para atuação em campo e apoio de órgãos de segurança em áreas de conflito.
Recursos mobilizados
- 522 brigadistas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
- 41 veículos terrestres destinados ao apoio logístico e às ações em campo.
- 13 aeronaves mobilizadas para o combate ao fogo, entre as quais seis aviões do modelo Air Tractor.
- Base operacional das aeronaves prevista na região de Santarém.
Em entrevista coletiva na tarde de hoje, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, informou que a operação está concentrada na chamada região do Chapadão, na divisa dos municípios de Santarém e Uruará. As seis aeronaves Air Tractor serão utilizadas para lançar água sobre as chamas, e os aviões ficarão baseados na região de Santarém.
Segundo os dados apresentados nesta quinta-feira, o Pará registra 321 eventos de fogo ativos, distribuídos em 76 municípios. Entre 14 e 20 de outubro, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) identificou 2.991 focos de calor no estado, 610 a mais.
Os dados mostraram ainda 62 incêndios florestais na região do Chapadão, área próxima à rodovia estadual PA 370, um entrocamento da Transamazônica (BR-230), que também abrange o município de São Félix do Xingu.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), os incêndios se concentram em invasões irregulares em assentamentos da reforma agrária e em reservas legais. Nesses locais, o MMA identificou a ocorrência de práticas irregulares de manejo, com uso intencional do fogo.
“Acionamos a Força Nacional de Segurança para auxiliar no trabalho dos brigadistas”
O ministro relatou eventos que estariam dificultando o trabalho das equipes em campo e afirmou que as forças policiais estão investigando uma possível ação criminosa na região para promover os incêndios.
“Não estamos afirmando que há ocorrência direta [de incêndios criminosos], mas isto está sendo investigado”
Capobianco destacou também a importância do apoio da sociedade para o enfrentamento aos incêndios, pedindo cuidado no uso do fogo e incentivos à denúncia de práticas criminosas.
A situação levou a Prefeitura de Altamira, no sudoeste do Pará, a decretar situação de emergência, medida que abrange regiões urbanas, rurais e ribeirinhas. Até o momento, 16 municípios paraenses decretaram situação de emergência em razão da estiagem e dos incêndios florestais, e outros sete pedidos de reconhecimento federal estão em análise.
Ontem (21), o governo federal encaminhou ao Congresso Nacional a Medida Provisória 1398/26, abrindo crédito extraordinário de R$ 300 milhões no Orçamento de 2026 para ações da Defesa Civil, em particular para o combate ao aumento dos focos de queimadas na Amazônia. O governo justificou a medida diante do cenário de chuvas escassas na região, associado ao El Niño, que vem aumentando municípios em condição de seca moderada a severa e restringindo a capacidade de resposta local.
“Estamos trabalhando nas ações preventivas em relação a esse fenômeno que vem tornando nossas florestas mais suscetíveis a incêndios desde 2024”
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