A pandemia do novo coronavírus (covid-19) e o consequente e necessário isolamento social mudaram a rotina de milhões de pessoas. Alguns estão mais próximos da família, outros passam pela crise sozinhos, e ainda há os que encontram no confinamento a chance de descobrirem novas companhias.
É neste momento que o movimento de adoções de animais parece ganhar um fôlego a mais. O AjuNews procurou abrigos e Organizações não Governamentais (ONGs) de Aracaju, além de pessoas ligadas à causa, para entender como a pandemia influenciou nesse processo.
Com a determinação dos decretos do governo de Sergipe e da prefeitura da capital, que proíbem a realização de eventos como medida de impedir o avanço da covid-19 no estado, a realização das feiras de adoções foram canceladas. A procura de interessados por um bichinho de estimação era alta nesses eventos.
Apesar do atual cenário, a presidente da Associação Defensora dos Animais São Francisco de Assis (Adasfa), Maria Antonia Teles, 67 anos, afirma que o ritmo de adoções não foi reduzido durante a pandemia. O abrigo fundado há 21 anos tem quase 800 animais.
“A maior procura é por filhotes. A gente tira foto dos animais, posta nas redes sociais e aí as pessoas ligam e nos procuram demonstrando interesse. Não tem a mesma eficiência que as feirinhas onde a gente conseguia 15 adoções em um dia, mas diante da situação atual aos poucos a gente vai levando”.
Outra organização engajada na causa é a ONG Anjos de um Resgate. Criada há sete anos e localizada no bairro Santa Maria, Zona Sul da capital, a Anjos de um Resgate caracteriza-se como um centro de reabilitação de animais de rua em estado grave de saúde que após recuperados aguardam seus novos lares.
De acordo com a coordenadora da instituição, Manuela Santos Andrade, o número de adoções de pets durante a quarentena foi elevado. “Atualmente, temos 48 animais, entre gatos e cachorros, e a gente percebeu um aumento de 80% no número de adoções aqui na ONG. Acho que o fato das pessoas estarem mais tempo em casa e buscarem algum tipo de companheirismo”, disse. Em contraponto, a coordenadora também cita que casos de abandonos e solicitações de resgate de animais aumentaram nesse período. “Só hoje já tivemos 5 pedidos de resgate”.
Essa é uma das preocupações da deputada estadual Kitty Lima (Cidadania), que possui como uma das principais bandeiras à causa animal. Para a parlamentar, apesar de adoções terem crescido em Sergipe, esse número não supera o de abandonos e de maus tratos.
“Os casos cruéis, pelo menos aqui no estado, triplicaram. Só neste início de mês eu relatei mais de 5 casos envolvendo envenenamento de vários animais ao mesmo tempo em Nossa Senhora da Glória, um animal sendo arrastado por uma moto em Lagarto, vários gatos sendo mortos no Parque dos Cajueiros, aqui em Aracaju. Então isso abafa a boa notícia de que as adoações aumentaram”, relata Kitty.
A possibilidade de que pessoas reavaliem a aquisição dos animais assim que as medidas de isolamentos social forem relaxadas também pode vir a se tornar um problema. Com o retorno da rotina e com menos tempo dentro de casa, o temor é que devolução de bichos aos abrigos aumente.
“São animais que já são resgatados do sofrimento e que já foram abandonados uma vez. Abandonar uma segunda vez é cruel. Ainda é preciso um trabalho de educação muito grande para as pessoas entenderem que se trata de uma vida e que toda vida importa”, afirma a deputada.
A estudante de engenharia de produção, Juliana Meneses Soares, de 21 anos, possui dois cães e gato, adotado pouco antes das medidas de isolamento social terem sido adotadas na capital, e conta como os animais a ajudam a passar pelo momento.
“A gente tá sem ver os nossos amigos, nossos familiares e os pets me ajudam muito a passar por certos momentos de solidão. Tem sempre um momento no dia para ficar com os meus pets porque sinto como se eu tivesse tirando aquele peso do meu dia. O peso de falta de esperança sem saber quando isso vai acabar. Quando estou com eles eu renovo todas as energias”, conta Juliana.
A universitária ainda faz uma recomendação aos que desejam adotar. “Para aqueles que sempre quiseram ter um pet e acham que por conta da quarentena isso não vai dar certo: é o melhor momento”, finaliza.
Iniciar a jornada de incluir um pet de estimação na rotina das pessoas não se torna mais fácil ou difícil durante o período de quarentena. As necessidades deles e os deveres de cuidados continuam com ou sem pandemia. O importante é aproveitar o afeto transmitidos e adotar com responsabilidade. Como diz o ditado ‘bicho é melhor que muita gente’.
Quer adotar um bichinho? Entre em contato com as instituições Adasfa e Ong Anjos
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.









