Quase 7 milhões de eleitores israelenses seguem HOJE às seções eleitorais para escolher a nova composição do Knesset, o Parlamento de 120 cadeiras. É a primeira consulta popular desde o ataque do Hamas em 07/10/2023, fato que redesenhou as prioridades de segurança no país.
Entre os favoritos estão três partidos liderados por nomes de perfil linha-dura em assuntos militares: o atual premiê Benjamin Netanyahu (Likud), o ex-chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot (Yashar) e o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett (Juntos). Nenhum deles apoia a criação de um Estado palestino e todos condicionam qualquer acordo ao desarmamento do Hamas. Divergem, porém, sobre a continuidade da expansão de assentamentos na Cisjordânia.
Como a votação ocorre com cédulas de papel, a contagem deve avançar pela madrugada e o resultado final é esperado apenas amanhã (28). O sistema parlamentar exige que o partido vencedor forme coalizão de maioria para governar, o que torna decisivas as negociações pós-urna.
Eisenkot, que integrou o gabinete de guerra montado depois de 07/10, deixou o governo criticando a condução da ofensiva em Gaza. Ele acusa Netanyahu de priorizar interesses políticos e de negligenciar o resgate dos reféns capturados pelo Hamas, acusação que o primeiro-ministro refuta.
“Os três são de direita […] Em segurança, pensam de forma muito parecida. Tratam os inimigos com mão pesada”, avaliou a professora de relações internacionais Karina Stange Calandrin.
Calandrin observa, porém, que Eisenkot e Bennett tendem a frear a construção de novos assentamentos na chamada Área B da Cisjordânia, prática que, de acordo com a analista, tem sido estimulada por partidos aliados de Netanyahu.
“Os colonos invadem terras palestinas e expulsam famílias com a vista grossa do governo”, explicou a especialista, acrescentando que uma eventual mudança de comando poderia reduzir a violência nesses territórios.
Para o sociólogo Michel Gherman, apesar de todos defenderem linha dura contra o Hamas, Netanyahu se diferencia por propor reformas que, segundo ele, reduzirão a autonomia do Judiciário em favor do Executivo.
“As diferenças centrais estão na visão de democracia representativa. Netanyahu quer concentrar poder”, afirmou Gherman.
Outro ponto sensível é a necessidade de apoio de legendas árabes para alcançar maioria. Calandrin crê que tanto Yashar quanto Juntos precisarão negociar com esses partidos, ainda que ambos já tenham declarado não cogitar alianças formais.
Gherman vislumbra cenário em que siglas árabes atuem como bloco de oposição indireta, votando contra Netanyahu para permitir a formação de um governo de minoria liderado por Eisenkot ou Bennett.
Enquanto as urnas permanecem abertas, relatos da agência palestina Wafa dão conta de confrontos entre colonos israelenses e moradores locais na Cisjordânia, indicando que a tensão regional segue alta.
Independentemente de quem saia vencedor, a defesa, a relação com os palestinos e o diálogo com mediadores internacionais como Catar e Egito devem dominar a agenda do próximo gabinete. Se a contagem confirmar reviravolta, será o fim de um período em que Netanyahu somou 19 anos à frente do governo.
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