Lula, em Nova York antes da 81ª Assembleia da ONU, debateu combate à pobreza com Zohran Mamdani. Também fechou acordos e tratou de integração e defesa da democracia com o presidente uruguaio Yamandú Orsi.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a passagem por Nova York, na véspera da 81ª Assembleia Geral da ONU, para realizar duas agendas bilaterais. Primeiro, encontrou-se com Zohran Mamdani, descrito como o primeiro prefeito muçulmano da metrópole norte-americana e autodeclarado “socialista democrata”. Depois, reuniu-se com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi. As conversas giraram em torno de inclusão social, defesa da democracia e integração latino-americana.
No encontro com o político nova-iorquino, Lula disse ver semelhanças entre os desafios sociais do Brasil e os de grandes centros urbanos dos Estados Unidos. Segundo ele, a alta dos investimentos em defesa por parte de Europa e Japão deixa “quase nada” para educação e combate à fome. O anfitrião respondeu mencionando o custo de vida na cidade e apontou a criação de supermercados populares como medida de alívio para famílias de baixa renda.
“Nós vivemos na cidade mais cara das Américas, a terceira mais cara do mundo. E um em cada quatro nova-iorquinos vive na pobreza”, afirmou Mamdani, acrescentando que Lula é uma “inspiração”.
Lula, dirigindo-se ao jovem prefeito, declarou esperar que ele se torne “um grande soldado” na luta contra a pobreza e a invisibilidade social. Ambos também expressaram preocupação com o avanço da desinformação e do extremismo político, defendendo a necessidade de priorizar a população mais vulnerável na elaboração de políticas públicas.
Horas depois, Lula sentou-se com Yamandú Orsi para tratar de temas comerciais e de infraestrutura. Conforme relatado pelo lado brasileiro, o Uruguai autorizou o uso do excedente de sua cota de exportação de carne bovina para a China, abrindo espaço para que empresas brasileiras ampliem a presença no mercado asiático. Foi discutida ainda a regulamentação das apostas on-line, setor em expansão nos dois países.
“Devemos nos encontrar novamente em breve, para avançar em projetos de integração transfronteiriça, em especial a construção da ponte binacional sobre o rio Jaguarão”, registrou Lula em rede social.
A Presidência uruguaia destacou que o diálogo abordou comércio, intercâmbio cultural e desenvolvimento produtivo, além dos próximos passos na Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e no Mercosul. Os dois chefes de Estado concordaram na importância de fortalecer o multilateralismo em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas e pela recuperação econômica pós-pandemia.
Com essas conversas, o governo brasileiro busca ampliar frentes de cooperação antes mesmo de subir à tribuna da ONU, onde Lula pretende defender reformas em organismos multilaterais e reiterar a prioridade de políticas sociais. A agenda bilateral reforça a estratégia de posicionar o Brasil como ator central nas discussões sobre desenvolvimento, clima e combate às desigualdades.
A 81ª sessão da Assembleia Geral começa nesta terça-feira, 22 de setembro, e terá como um dos focos o progresso das metas globais de desenvolvimento sustentável. Lula planeja reiterar a necessidade de reforma do Conselho de Segurança e de maior representatividade para países em desenvolvimento.
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