O Palácio da Alvorada foi palco, nesta segunda-feira, 1º de junho, de uma reunião estratégica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Dario Durigan. No centro da conversa esteve a decisão do governo dos Estados Unidos de enquadrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, medida que pode desencadear sanções automáticas contra empresas e bancos brasileiros.
Lula solicitou ao ministro um levantamento preciso sobre eventuais impactos na soberania econômica e na estabilidade do sistema financeiro nacional. A orientação é clara: identificar vulnerabilidades antes que restrições externas atinjam negócios legítimos sediados no país.
“Vamos seguir combatendo as organizações criminosas, mas precisamos evitar prejuízos irreais ou fantasiosos para nossa economia. Temos de agir com todo o cuidado”, afirmou Durigan ao deixar a residência oficial.
O chefe da Fazenda teme que a “discricionariedade” de protocolos estrangeiros amplie custos de financiamento, complique o acesso a crédito e afete cadeias de exportação. Segundo ele, o ponto central é impedir que empresas brasileiras se tornem alvos de bloqueios ou listas de monitoramento sem respaldo em evidências concretas.
No curto prazo, o ministério organiza reuniões com representantes dos setores bancário, industrial e de comércio exterior para mapear pontos de pressão. A ideia é criar um dossiê com dados de exposição cambial, volume de transações em dólares e parcerias internacionais potencialmente afetadas.
Durigan disse manter canais abertos com autoridades norte-americanas, incluindo o secretário do Tesouro, Scott Bessent, embora nenhum encontro esteja agendado. Ele pretende apresentar o diagnóstico brasileiro “assim que houver clareza sobre os números e cenários” para evitar ruídos diplomáticos.
“O que vier de fora para ajudar no combate ao crime organizado é bem-vindo. O que não pode é atrapalhar a vida de quem gera emprego e renda”, reforçou o ministro.
O encontro também abordou a agenda de viagens do ministro. No fim de junho, Durigan visitará China e Japão para apresentar o programa Eco Invest Brasil, voltado a captar recursos para projetos de baixa emissão de carbono. Ele quer aproveitar a nova rodada de negociações internacionais para tranquilizar investidores sobre a solidez regulatória do país mesmo diante do cenário criado pelos EUA.
Dados recém-divulgados sobre o Produto Interno Bruto foram analisados por Lula e Durigan. A economia brasileira avançou 1,1% no primeiro trimestre deste ano, impulsionada por um salto de 3,5% na formação bruta de capital fixo, indicador considerado termômetro do investimento produtivo. O governo espera que a proteção contra sanções indevidas ajude a manter esse ritmo.
Ao final, o ministro reiterou que qualquer reação do Brasil priorizará o diálogo diplomático e a defesa “intransigente” da autonomia nacional: sem prejuízo da cooperação internacional em segurança pública, mas com firmeza na proteção de empresas, empregos e do sistema financeiro doméstico.
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