Com o segundo turno em 25 de outubro, moradores da Maré organizam mutirão para informar 16.907 eleitores afetados pela mudança de 41 seções determinada pelo TRE-RJ. Fotógrafo Marlon Soares fala do transtorno no 1º turno.
Com o segundo turno das eleições marcado para o próximo domingo, 25 de outubro, eleitores do Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, articulam-se para garantir que ninguém deixe de votar por falta de informação. A mudança de endereço de 41 seções eleitorais colocou 16.907 pessoas diante do desafio de se deslocar para bairros vizinhos, decisão tomada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) para afastar urnas de áreas consideradas de risco.
O fotógrafo Marlon Soares, que sempre votou perto de casa, lembra o transtorno que enfrentou no primeiro turno, em 4 de outubro.
“Pensei em todo momento em desistir. Me jogaram para outro bairro. Tive que pegar condução para chegar e fiquei mais de duas horas na fila para conseguir votar.”
Segundo o TRE-RJ, a alteração segue critérios de segurança pública: as novas escolas, clubes e igrejas ficam fora de territórios sob influência de facções rivais, milícias ou tráfico de drogas e, sempre que possível, próximos ao antigo endereço. Mesmo assim, o deslocamento extra pesou. Dados dos Boletins de Urna mostram abstenção de 31,07% nas seções transferidas, contra média nacional de 21,08%.
Para reverter esse quadro, a organização não governamental Redes da Maré inicia amanhã, 20 de outubro, a mobilização Esquinas por Direitos. Até sexta-feira, voluntários estarão em pontos estratégicos das 16 comunidades distribuindo panfletos, consultando títulos eleitorais em aplicativos e tirando dúvidas sobre transporte gratuito – garantido pela Resolução 23.759/2026 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Postagens nas redes sociais reforçam que quem faltou no primeiro turno pode votar normalmente no dia 25 e que o cadastramento biométrico ainda não é obrigatório. Uma das mensagens alerta:
“Antes de sair de casa, confira seu local de votação e a situação do seu título eleitoral. Só votaremos em presidente.”
Locais de votação transferidos no Complexo da Maré
- 7.268 eleitores que votavam na Escola Municipal Professor Josué de Castro agora votarão no Centro Educacional Gama e Souza
- 4.907 eleitores que votavam na Escola Municipal Teotônio Vilela agora votarão no Bonsucesso Futebol Clube
- 4.732 eleitores que votavam na Escola Municipal Professor Paulo Freire agora votarão na Igreja Nossa Senhora de Bonsucesso de Inhaúma
No estado, outras 19 cidades também tiveram mudanças, somando 72 locais e afetando cerca de 202 mil eleitores. O TRE-RJ lembra que existe transporte especial adaptado para pessoas com mobilidade reduzida disponível por meio do projeto Seu Voto Importa; no primeiro turno, porém, não houve procura.
Estudo da Redes da Maré indica que, nos últimos quatro anos, metade do eleitorado local já precisou se adaptar a novos pontos de votação. A ONG destaca que atravessar vias expressas como a Avenida Brasil ou a Linha Amarela, enfrentar ônibus lotados e percorrer trajetos considerados inseguros impacta sobretudo jovens, mulheres chefes de família e pessoas idosas.
Enquanto o segundo turno se aproxima, a palavra-de-ordem entre os voluntários é simples: informação. Mesmo quem não dispõe de internet está recebendo ajuda por meio de cartazes, alto-falantes improvisados e grupos de mensagens. A expectativa é que, com a campanha porta a porta, o índice de abstenção recue e mais moradores possam exercer seu direito democrático sem barreiras.
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