O MDHC acionou o programa de proteção de Minas para resguardar Ana Elisa, deputada federal eleita de 21 anos. Ela diz receber ameaças de morte e estupro que aumentaram após o primeiro turno e a circulação de fake news.
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) solicitou providências ao Programa Estadual de Proteção de Minas Gerais para resguardar a integridade da deputada federal eleita Ana Elisa (PT), de 21 anos. A medida foi tomada depois que a parlamentar passou a relatar, nas redes sociais, uma onda de mensagens com ameaças de morte e estupro que, segundo ela, se intensificaram logo após o primeiro turno das eleições, no domingo, 4 de outubro.
De acordo com a futura congressista, as intimidações não são novidade, mas ganharam volume depois da circulação de notícias falsas que a teriam como alvo. A jovem política informou ter desativado sua conta no X (antigo Twitter) porque a equipe vinha recebendo agressões virtuais a cada dois minutos. Ela declarou temer pela própria vida e afirmou não dispor, até o momento, de uma estrutura de segurança privada.
“Estou sofrendo mais ameaças de morte. Acredito que ninguém mereça ser ameaçado de morte por estar politicamente engajado. O debate político, para mim, nunca foi sobre isso”, declarou Ana Elisa.
O MDHC não divulgou quais ações de proteção estão sendo planejadas, justificando que a divulgação poderia comprometer a segurança da deputada eleita. No entanto, confirmou que a equipe do Programa Estadual de Proteção trabalhará em conjunto com o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas.
Para avançar nas medidas, o ministério solicitou à Secretaria de Desenvolvimento Social de Minas Gerais a elaboração de uma análise de risco, além de articulação com órgãos de inteligência policial para investigar as ameaças e identificar os responsáveis. O pedido também inclui a adoção de providências emergenciais, caso a avaliação aponte perigo iminente.
Até o fechamento desta reportagem, não havia confirmação de detalhes operacionais nem da Secretaria de Desenvolvimento Social nem do Ministério Público estadual sobre possíveis procedimentos já abertos no âmbito criminal.
Ana Elisa nasceu em Divinópolis, estuda Direito e trabalha como estagiária no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais. Com 524.000 votos, foi a segunda colocada no ranking geral para a Câmara dos Deputados no estado e alcançou duas marcas inéditas: tornou-se a mulher mais votada da história mineira e também a pessoa mais jovem a conquistar uma cadeira no Parlamento brasileiro.
O caso reabre o debate sobre segurança de representantes eleitos e violência política de gênero. Órgãos federais e estaduais reconhecem aumento de hostilidades contra mulheres atuantes na esfera pública, sobretudo em períodos eleitorais, e avaliam estratégias para prevenir novos episódios.
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