Boletim Focus do BC aponta Selic em 13,75% no fim de 2026, primeira revisão para baixo desde março. Projeção caiu 0,25 p.p. (de 14%) e mercado vê ao menos um corte até 31/12/2026.
O Boletim Focus divulgado HOJE pelo Banco Central aponta que a taxa básica de juros deve encerrar 2026 em 13,75%. É a primeira revisão para baixo desde março, quando o levantamento havia registrado recuo pontual de 12,13% para 12%.
Na leitura anterior, publicada há uma semana, os participantes do mercado projetavam 14% ao fim de 2026. A atualização desta segunda-feira reduz a estimativa em 0,25 ponto percentual e alimenta a expectativa de, pelo menos, um corte na Selic antes de 31 de dezembro do próximo ano.
A taxa em vigor, fixada pelo Comitê de Política Monetária em 17 de junho, permanece em 14,25%. A próxima reunião do colegiado está marcada para os dias 4 e 5 de agosto, data em que investidores acompanharão de perto qualquer sinal sobre o ritmo de afrouxamento monetário.
Para 2027 e 2028, o Focus mantém as previsões em 12% e 10,5%, respectivamente, sugerindo que o ciclo de baixa poderá se alongar por mais dois anos, mas de forma gradual.
Na mesma pesquisa, as expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) seguem em trajetória descendente. A mediana das projeções coloca a inflação de 2026 em 5,03%, inferior aos 5,12% calculados na semana passada e bem abaixo dos 5,30% observados há quatro semanas. Para 2027 e 2028 as estimativas permanecem estáveis, em 4,22% e 3,80%.
No campo da atividade, o Produto Interno Bruto de 2026 continua estimado em crescimento de 1,99%, patamar que vem se repetindo há cinco semanas. Já para 2027 houve leve ajuste: a projeção de expansão cai de 1,60% para 1,57%.
O câmbio também sofreu pequena revisão. Para este ano, a expectativa dos economistas segue em R$ 5,20 por dólar. Para 2027, a cotação prevista recua de R$ 5,29 para R$ 5,28.
Especialistas observam que a Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central no combate à inflação. Juros mais altos encarecem o crédito, desestimulam a demanda e ajudam a conter a alta de preços; por outro lado, podem frear a atividade econômica. Quando a taxa cai, o movimento costuma baratear empréstimos, favorecer o consumo e a produção e, ao mesmo tempo, reduzir a capacidade de o BC segurar o avanço do IPCA.
Instituições financeiras consideram ainda fatores como risco de inadimplência, margens de lucro e despesas administrativas na definição do custo final ao consumidor. Ainda assim, cortes na Selic tendem a influenciar o mercado, abrindo espaço para juros menores em linhas de financiamento e investimentos produtivos.
Com o novo boletim, analistas recalibram modelos e aguardam os desdobramentos da próxima reunião do Copom. Se confirmada a redução já precificada, o país pode encerrar 2026 com uma taxa básica inferior à atual, cenário que não aparecia desde março.
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