As midterms renovaram todas as 435 cadeiras da Câmara e 35 vagas no Senado, definindo o equilíbrio de poder em Washington. O resultado influencia leis, nomeações e a agenda até 2026.
As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, realizadas nesta semana nos Estados Unidos, diferem bastante do processo brasileiro. Nos EUA, o voto pode ser registrado em urna eletrônica, cédula de papel ou pelo correio, e a cada dois anos grande parte do Legislativo nacional passa por renovação.
Nessas midterms, os eleitores escolheram novos ocupantes para todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil, e para 35 das 100 cadeiras do Senado. O mandato dos deputados federais norte-americanos é de apenas dois anos, por isso cada posto fica sempre em disputa tanto nas eleições gerais quanto nas de meio de mandato. Já os senadores cumprem ciclos de seis anos, motivo pelo qual apenas um terço deles se submete ao crivo do eleitorado a cada pleito.
Como consequência desse sistema, nem todos os estados enviaram candidatos ao Senado nesta rodada. Quinze unidades da federação – Arizona, Califórnia, Connecticut, Havaí, Indiana, Maryland, Missouri, Nevada, Nova York, Dakota do Norte, Pensilvânia, Utah, Vermont, Washington e Wisconsin – não participaram da votação para senador em 3 de novembro.
O resultado nas urnas serviu de termômetro para a popularidade do governo federal. A vitória democrata na Câmara, segundo avaliou a própria legenda, sinalizou desgaste para o presidente republicano Donald Trump, que vinha registrando índices de aprovação ao redor de 30% e desaprovação perto de 60% em diferentes pesquisas de opinião.
Com uma Câmara controlada pela oposição, Trump enfrentará mais obstáculos na aprovação de pautas prioritárias, como mudanças tarifárias e eventuais iniciativas militares. Nos EUA, o Congresso é responsável por autorizar orçamentos, criar ou alterar leis, confirmar nomeações para a Suprema Corte, o Gabinete Presidencial e chefias de agências federais, além de ter a palavra final sobre declarações de guerra ou envio de recursos bélicos a nações estrangeiras.
As midterms também movimentaram a política estadual. Trinta e seis governadores foram escolhidos, número que varia porque cada estado define seu próprio calendário eleitoral. Nova Jersey e Virgínia, por exemplo, elegeram governadores em 2025 e só voltarão às urnas para esse cargo em 2029.
A cédula norte-americana costuma concentrar diversos pleitos simultâneos. No Kansas, os votantes definiram deputado federal, senador, governador, secretário de Estado, procurador-geral, tesoureiro e comissário de Seguros. No vizinho Missouri, ficaram restritos a auditor estadual, deputado federal e representantes estaduais – função semelhante à de deputado estadual no Brasil.
Além dos cargos eletivos, as consultas populares ganharam espaço. No Kansas houve uma pergunta a ser respondida pelos eleitores; no Missouri, oito temas diferentes foram submetidos à apreciação direta da população.
Diferentemente das disputas presidenciais, em que o colégio eleitoral decide o ocupante da Casa Branca, as cadeiras legislativas são definidas por maioria simples em cada distrito ou estado. Esse arranjo faz das midterms um momento estratégico para Republicanos, Democratas e siglas menores – como o Partido Verde e o Libertário – porque a correlação de forças no Congresso pode facilitar ou bloquear programas de governo ao longo dos próximos dois anos.
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