As eleições de meio de mandato presidencial nos Estados Unidos, conhecidas como midterms, encerraram-se com resultados que entraram para a história da representatividade no país. Candidatos negros, hispânicos, muçulmanos, indígenas, mulheres e integrantes da comunidade LGBTQIA+ conquistaram vitórias inéditas em cargos estaduais e federais, sinalizando uma Câmara Alta e gabinetes de governadores mais diversos a partir de janeiro de 2027.
No Senado federal, o democrata Chris Pappas, de New Hampshire, tornou-se o primeiro candidato assumidamente gay eleito para a Casa. Aos 46 anos, ele já exercia mandato na Câmara dos Representantes e assumirá o novo posto em 2027. Ainda que pioneiro como candidato, não será o único representante LGBTQIA+ do Senado, onde Tammy Baldwin, de Wisconsin, está desde 2013.
A representatividade muçulmana também subiu um degrau: Abdul El-Sayed, epidemiologista de 42 anos, venceu a disputa no Michigan e será o primeiro muçulmano no Senado dos EUA. Em Nova York, a ativista Aber Kawas, de 34 anos, garantiu assento no Senado estadual, quebrando duplamente barreiras ao ser a primeira palestino-americana e a primeira mulher que usa hijab a ocupar o cargo.
Entre os povos originários, as urnas confirmaram avanços significativos. Deb Haaland, de 65 anos, foi eleita governadora do Novo México, tornando-se a primeira mulher indígena a chefiar um estado. Haaland já havia feito história no Executivo federal ao comandar o Departamento do Interior entre 2021 e 2025. No Senado, Peggy Flanagan, 47, do povo Ojibwe, será a primeira senadora indígena por Minnesota. A lista inclui ainda Claire Valdez, 37, do povo Ysleta del Sur Pueblo, eleita à Câmara dos Representantes por Nova York.
A população negra também registrou marcos. Keisha Lance Bottoms foi eleita governadora da Geórgia, a primeira mulher negra a ocupar o posto. Na Flórida, o republicano Byron Donalds quebrou dois recordes: será o primeiro homem negro no governo estadual e o primeiro negro eleito pelo Partido Republicano para esse cargo desde o século XIX. Já em Wisconsin, David Crowley alcançou feito similar ao tornar-se o primeiro governador negro do estado. Em Illinois, Juliana Stratton assegurou vaga no Senado federal, fazendo do estado o primeiro a ser representado simultaneamente por duas mulheres de minorias raciais.
As mulheres, de modo geral, ampliaram a ocupação de cargos executivos estaduais. Amy Acton comandará Ohio; Amy Klobuchar, Minnesota; e Marsha Blackburn assumirá o governo do Tennessee. Cada uma delas adiciona um novo capítulo à presença feminina nas administrações estaduais.
Com 37,3 milhões de habitantes latinos no país, segundo estimativas oficiais, as eleições também trouxeram avanço para essa comunidade. No Texas, Gina Hinojosa, democrata, quebrou um ciclo de vitórias republicanas iniciado em 1995 ao vencer disputa estadual, reforçando a busca de pluralidade no panorama político texano.
Os números do Censo dos EUA revelam que apenas 2% da população se autodeclara indígena e 13,5% se define como negra. Ao vencer barreiras estruturais e históricas, os novos eleitos criam a expectativa de uma agenda legislativa mais atenta às demandas desses segmentos a partir da próxima legislatura. Para analistas, o resultado das midterms indica que a participação política de grupos antes sub-representados deixa de ser exceção e passa a delinear um movimento de longo prazo no cenário eleitoral norte-americano.
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