Mais de 100 mulheres trabalhadoras dos estados nordestinos de Alagoas, Sergipe, Bahia e Pernambuco participaram do Encontro Regional Nordeste ‘Mulheres na Luta por Políticas Públicas e Maior Participação Política’, realizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT). O objetivo foi abordar sobre a condição da mulher e desafios da luta feminista no Brasil.
De acordo com a CUT Sergipe, com a pandemia, o índice de violência contra a mulher, que já era alto, aumentou. Além da violência física, também cresceu o assédio moral, desemprego, baixa remuneração, desvalorização do trabalho feminino e a sobrecarga com tarefas domésticas.
Ana Georgina Dias, economista do Dieese, afirmou que o desemprego na pandemia atinge principalmente o público feminino, pois apenas 39% das mulheres em idade economicamente ativa estão empregadas, enquanto os homens empregados alcançam a marca dos 57%.
Além da remuneração inferior a dos homens, a sobrecarga da mulher durante a pandemia foi outro índice apontado. Segundo dados apresentados pela economista do Dieese, mesmo a mulher empregada dedica em média 22 horas semanais ao trabalho doméstico, enquanto os homens gastam 11 horas semanais, a metade do tempo, em afazeres domésticos.
Flagrante do racismo estrutural, Ana revelou que entre as pessoas em idade de trabalhar, as mulheres pretas e pardas juntas somam quase 54% das pessoas desempregadas. No geral, a população negra desocupada chega a mais de 60% enquanto os brancos desocupados são apenas 36,3%. “A gente não age sobre a realidade sem conhecer a realidade. Então é desanimador, mas é preciso apresentar esses dados”, afirmou Georgina.
A secretária da mulher trabalhadora da CUT Sergipe, Cláudia Oliveira, avaliou que a participação das mulheres no Encontro foi muito boa com debates oportunos e urgentes para a mulher trabalhadora. “Realizar um encontro virtual com mais de 100 mulheres que representam trabalhadoras dos mais diversos sindicatos filiados à Central Única dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos estados nordestinos é um indício de crescimento da participação da mulher na política. Ser dirigente sindical, não é tarefa fácil para as mulheres, daí é preciso ressaltar que a cada dia que chegar uma liderança feminina nos sindicatos é importante fortalecer com debates como esse para o seu crescimento e enriquecer a sua formação”, afirmou Cláudia.
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