O epidemiologista Jesem Orellana, da Fiocruz na Amazônia, afirmou que uma nova variante do coronavírus, identificada em turistas japoneses após viagem à Amazônia, é a explicação mais plausível para a explosão atual de casos da covid-19. Em entrevista ao Estadão, o cientista contou que desde agosto havia sinais de que a situação ia piorar se não fosse interrompida a circulação do vírus.
Segundo a publicação, o epidemiologista fez um alerta nas redes sociais, para órgãos do governo e até para a Câmara e o Senado. Manaus, segundo ele, tinha se tornado a “capital mundial da pandemia de covid-19”.
No alerta, Orellana adverte: “O caos sanitário e humanitário em que a cidade mergulhou durante a segunda onda, traduzido pelo pico explosivo de mortalidade e de internações em leitos clínicos e de UTI no início de janeiro, não deixa qualquer dúvida sobre a extensão da tragédia anunciada”.
Durante a entrevista, ele criticou a divulgação de um estudo segundo o qual Manaus poderia ter atingido a imunidade de rebanho. Para ele, essa disseminação num contexto em que pelo menos 30% a 40% da população já tinha sido exposta ao coronavírus, “só pode ser porque essa nova cepa se propaga muito mais rapidamente que todas as 11 variantes que circularam antes na região”.
O pesquisador disse ainda que estão investigando se de fato ela é mais contagiosa, mas que as mutações são muito parecidas com as vistas no Reino Unido e na África do Sul. “A pior consequência, além das centenas de mortes que aconteceram nos últimos seis dias e as milhares que ainda devem acontecer nos próximos, é a possibilidade de disseminar essa nova cepa Brasil afora porque estamos mandando dezenas de pacientes daqui para outros Estados. Em outras palavras, estamos mandando o vírus para outros Estados. Isso ninguém está falando ainda, mas vamos ver a bomba estourar daqui uns 15 dias”, revelou ele.
“Podemos ser surpreendidos com uma nova avalanche de internações. Estamos num contexto de fila para internações de leito clínico e de UTI, tanto de pacientes de Manaus quanto do interior do Amazonas. É um caos absoluto”, disse ao site.
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