A atividade econômica brasileira voltou a acelerar em maio. De acordo com o Monitor do PIB, indicador mensal do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), o Produto Interno Bruto (PIB) registrou alta de 0,7% em relação a abril, após ter recuado 0,1% no mês anterior e ficado estável em março.
Considerando o trimestre móvel encerrado em maio, o crescimento chegou a 1,9% ante o mesmo período de 2025. Já no acumulado de 12 meses, a taxa positiva ficou em 1,7%, abaixo dos 3% observados em março e dos 3,8% verificados em maio do ano passado, sinalizando ritmo mais moderado no horizonte mais longo.
O avanço de maio recoloca a série em terreno positivo mês a mês. Veja a sequência de 2026:
– Janeiro: 0,7%
– Fevereiro: 0,5%
– Março: 0%
– Abril: –0,1%
– Maio: 0,7%
O principal motor do resultado continua sendo o consumo das famílias, que cresceu 3,3% no trimestre encerrado em maio, atingindo o maior nível desde o quarto trimestre de 2024. Mais de 60% desse impulso veio da demanda por serviços e bens duráveis.
“O crescimento da agropecuária vem após sequência de retrações, a estabilidade industrial mostra perda de fôlego do setor e, apenas os serviços mostraram resultado um pouco melhor que a média geral do início do ano”, avaliou a coordenadora da pesquisa, Juliana Trece.
Ela ressalvou que a concentração do avanço no consumo das famílias evidencia certa fragilidade, pois exportações e investimentos ainda mostram desempenho desigual.
“Com isso, conclui-se que, embora a economia siga em crescimento, há alguns sinais importantes de arrefecimento que começam a aparecer no resultado”, ponderou a economista.
No trimestre móvel, as exportações subiram 4,3%, menor patamar desde o segundo trimestre de 2025, reflexo sobretudo do enfraquecimento na indústria extrativa mineral. As importações aumentaram 8,9%, marcando o terceiro período seguido de expansão.
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede o investimento, avançou 2% após quatro trimestres móveis de queda, elevando a taxa de investimento para 18,6% em maio, a segunda maior do ano, atrás apenas de fevereiro (19,2%).
Em valores correntes, o PIB acumulado de janeiro a maio foi estimado em R$ 5,466 trilhões.
Outro termômetro da economia, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado na sexta-feira (17), havia apontado expansão de 0,1% entre abril e maio e de 1,4% nos 12 meses terminados em maio, corroborando a leitura de crescimento moderado.
O resultado oficial do PIB é divulgado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado mais recente, referente ao primeiro trimestre de 2026, mostrou avanço de 1,1%. O balanço do segundo trimestre será publicado em 1º de setembro.
No campo das projeções, o Relatório Focus, do Banco Central, indica que a economia deve encerrar 2026 com alta de 1,99%, enquanto o Ministério da Fazenda trabalha com previsão de 2,3%.
Para analistas, a próxima leitura do Monitor do PIB poderá confirmar se o movimento de maio representa retomada consistente ou apenas um repique após a queda registrada em abril.
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