Renan Santos (Missão), terceiro colocado, afirmou que não pretende apoiar nenhum candidato no segundo turno de 25 de outubro. O PSD, do quarto colocado Ronaldo Caiado, liberou seus diretórios estaduais; juntos somaram 5,27 milhões de votos.
O resultado das urnas no último domingo, 4 de outubro, mexeu com a correlação de forças para o segundo turno da disputa ao Palácio do Planalto. Terceiro colocado na votação, Renan Santos (Missão) declarou que não pretende apoiar nenhum dos candidatos que avançaram à fase decisiva do pleito, marcada para o dia 25 de outubro. Já o PSD, legenda do quarto colocado Ronaldo Caiado, informou que deixará a decisão nas mãos de seus diretórios estaduais.
Renan somou 2,67 milhões de votos, equivalentes a 2,24% dos válidos. Caiado recebeu 2,60 milhões, ou 2,18%. Juntos, os dois alcançaram 5,2 milhões de eleitores, volume superior à diferença de 2,22 milhões que separou Flávio Bolsonaro (47,03%) e Luiz Inácio Lula da Silva (45,16%), os finalistas do embate.
“O Flávio Bolsonaro já ganhou. E antes de alguém perguntar em quem eu vou apoiar no segundo turno. Faz diferença? Façam o que quiserem. Eu já avisei que eu não voto em bandido. Não recomendo a ninguém que vote em bandido. Flávio é bandido. Lula é bandido. Mas não faz diferença alguma, façam o que vocês quiserem aí”
O pronunciamento, transmitido ao vivo nas redes sociais de Renan, sustentou a decisão de manter a neutralidade formal. Ao mesmo tempo, ele sinalizou desinteresse em orientar seu eleitorado, afirmando que cada um deve “fazer o que quiser”.
Horas mais tarde, quem falou aos jornalistas foi Ronaldo Caiado. Após a confirmação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o segundo turno, o ex-governador de Goiás ressaltou que não atingiu a meta de chegar à etapa derradeira, mas frisou que saiu do pleito “de pé”.
“Eu, neste momento, vocês sabem, vou guardar a minha coerência, mas jamais vou me pronunciar sem antes também estar reunido com o presidente do meu partido, Kassab”
A posição definitiva da sigla foi detalhada em nota pública do presidente do PSD, Gilberto Kassab. O comunicado reafirmou a linha tomada no primeiro turno, quando os diretórios locais tiveram liberdade para construir alianças regionais.
“Diante da diversidade de cenários eleitorais que tivemos nos estados, em que as instâncias estaduais do PSD tiveram liberdade para construir suas alianças, a direção nacional entende como natural manter esta diretriz neste segundo turno. Assim, cada diretório estadual, parlamentar, liderança partidária, filiados e militantes terão liberdade para definir seu apoio na eleição presidencial e em eventual disputa estadual”
Com essa definição, bases do PSD em estados onde Lula liderou tendem a se alinhar ao petista, enquanto dirigentes de regiões bolsonaristas podem pender para Flávio Bolsonaro. A descentralização amplia a imprevisibilidade sobre para onde migrará o eleitor de Caiado.
A campanha de segundo turno vai começar nesta segunda-feira, 6 de outubro, quando os candidatos podem retomar propagandas em rádio, TV e internet. O período de exposição gratuita no horário eleitoral será mais curto: apenas duas semanas até a votação de 25 de outubro.
Analistas observam que conquistar parte dos 5,2 milhões de votos de Renan e Caiado pode ser decisivo. Flávio Bolsonaro entra na corrida com margem confortável, mas precisa manter o ritmo para superar o índice de abstenções, que chegou a 21,6% no primeiro turno. Lula, por sua vez, aposta em alianças e na alta capilaridade partidária para reduzir a distância.
Nos bastidores, dirigentes de outras legendas se movimentam para externar apoio nos próximos dias, e as negociações incluem espaço em futuros ministérios, distribuição de comissões no Congresso e adesão a programas regionais.
Enquanto isso, eleitores que faltaram ao primeiro turno podem votar normalmente no segundo; basta estarem em situação regular junto à Justiça Eleitoral. Quem estiver em débito com a biometria ou com multas eleitorais deverá resolver pendências até o dia 22.
O tabuleiro político, portanto, permanece aberto. Sem declarar voto, Renan e Caiado adicionam componentes de incerteza a uma disputa que já vinha apertada. Nas ruas e nas redes, o termômetro é de mobilização elevada à espera de novas adesões que podem consolidar ou reduzir a vantagem inicial de Flávio Bolsonaro.
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