Em artigo publicado pela Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe (OAB/SE), o secretário-geral adjunto da entidade, Raphael de Azevedo F. Reis, sustenta que a discussão sobre violência contra a mulher deve ser assumida por toda a sociedade, especialmente pelos homens, diante do agravamento dos índices de agressões e feminicídios no país.
O autor lembra que março é reconhecido como o mês que celebra as conquistas femininas, mas questiona se há motivo para comemoração diante das estatísticas recentes. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 1.518 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil em 2025, o maior número já registrado desde que a tipificação foi criada.
Reis destaca ainda levantamento do DataSenado, que aponta 3,7 milhões de brasileiras submetidas a violência doméstica ou familiar no mesmo período. O cenário equivale a mais de 10 mil vítimas por dia ou 422 por hora. “Enquanto você lê esta coluna, mais de 30 mulheres terão sido vítimas de violência em algum lugar do Brasil”, reforça.
Escalada de agressões
Para o dirigente da OAB/SE, o feminicídio é o ponto mais extremo de um ciclo que costuma começar com agressões verbais, violência psicológica e ameaças. Ele cita como exemplo recente o caso ocorrido em Estância (SE), onde uma mulher foi brutalmente agredida em via pública e à luz do dia. Embora o episódio não tenha resultado em morte, segundo o autor, ele demonstra que “a violência contra a mulher parece, cada vez mais, perder qualquer constrangimento social”.
Mesmo com a onipresença de câmeras e celulares, a exposição pública não tem sido suficiente para coibir os agressores. Reis faz referência ao conceito de vigilância constante abordado por Michel Foucault em “Vigiar e Punir”, observando que, no contexto atual, “perdeu-se o medo de agredir, de ser visto e até das consequências jurídicas dessa violência”.
Participação masculina é essencial, diz OAB/SE
O secretário-geral adjunto argumenta que a maioria das agressões é praticada por homens, que também ocupam a maior parte dos espaços de poder. Por isso, afirma, o engajamento masculino é indispensável para modificar atitudes e construir uma cultura de respeito.
Perdeu-se o medo de agredir.
Perdeu-se o medo de ser visto.
Perdeu-se, inclusive, o medo das consequências jurídicas dessa violência.
Como iniciativa concreta, a OAB/SE aprovou a Resolução nº 04/2026, que define diretrizes para promover a equidade de gênero, prevenir a violência contra a mulher e fortalecer a participação feminina na advocacia sergipana. A medida, segundo o artigo, sinaliza que o enfrentamento ao problema deve ser prioridade permanente.
Reis conclui que o “mês da mulher” não pode limitar-se a homenagens e pede reflexão coletiva: enquanto milhares de brasileiras continuarem expostas à violência, qualquer discurso sobre igualdade permanecerá incompleto.
Fonte: Oabsergipe.org
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