O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) condenou nesta terça-feira (24) dois seguranças do supermercado Ricoy, na zona Sul de São Paulo, por terem açoitado um adolescente que tentou furtar barras de chocolate em agosto de 2019. A pena total será de dez anos, três meses e 18 dias de prisão em regime fechado.
Eles foram condenados por tortura, lesão corporal, cárcere privado e divulgação de cenas de nudez de vulnerável. Os seguranças abordaram o adolescente, o levaram a um cômodo do local, tiraram sua roupa, o amarraram e o amordaçaram. Depois, ele foi açoitado com um chicote de fios elétricos trançados. As imagens foram filmadas e divulgadas na internet pelos próprios seguranças.
À Agência Brasil, a relatora do caso, Ivana David, afirmou que “não há como negar a imposição de sofrimento moral e mental resultante da divulgação das imagens. Estas a evidenciar por si sós o imenso abalo emocional causado à vítima, exposta nua e amordaçada, desbordando em muito do mero castigo e da humilhação já infligidos e resvalando no sadismo e na pedofilia, indicando-se desprezo pela condição humana”.
O julgamento teve votação unânime, com participação dos desembargadores Camilo Lellis e Edison Brandão. Os dois condenados haviam sido condenados em primeira instância por lesão corporal, sendo absolvidos do crime de tortura. Na segunda instância, acabaram condenados nesta terça (24).
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