Sergipe subiu para a quarta posição no ranking nacional de transplantes de córnea, resultado do trabalho do Banco de Olhos do Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse). Segundo dados divulgados pela Secretaria de Saúde, foram captadas 142 córneas em 2024 e 281 em 2025.
O avanço na oferta do procedimento ocorre em um contexto de aumento nas doações em todo o país: em 2025, o transplante de córnea foi o mais realizado no Brasil, com 17.790 cirurgias, conforme informação da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO).
Relatórios da Central Estadual de Transplantes de Sergipe (CET/SES) detalham ainda que, em 2024, houve 70 doadores de córnea e 223 transplantes realizados. Em 2025, o estado registrou 245 transplantes, e, em 2026, até 4 de maio, já foram feitos 64 procedimentos no estado.
Listas de espera e apelo à doação
O coordenador da CET/SES, Benito Fernandez, informou que, apesar do crescimento, 194 pacientes seguem na lista de espera por um transplante de córnea no estado. Fernandez ressaltou a importância da doação e lembrou que, legalmente, a autorização para doação de órgãos depende da concordância de familiares até segundo grau, o que torna essencial que a pessoa manifeste em vida o desejo de ser doadora.
A gerente do Banco de Olhos, Flávia Andrade, explicou o processo técnico e os prazos para a captação: a notificação é feita ao banco quando há um óbito na rede pública ou privada; a avaliação inicial ocorre em até seis horas, podendo se estender a 12 horas se o corpo estiver refrigerado. Após a análise clínica e a conversa com os familiares, o tecido, quando liberado, entra em procedimentos de preservação e exames antes de ser distribuído pela Central de Transplantes.
Segundo a equipe técnica, cada doador de córnea pode beneficiar até duas pessoas, desde que o material seja aprovado nas análises e encaminhado conforme os critérios de distribuição.
Caso exemplar
A história de André Santos, 29 anos, morador do bairro Santos Dumont, em Aracaju, ilustra o impacto do procedimento. Diagnosticado com ceratocone aos oito anos, ele passou pelo transplante de córnea pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Após a recuperação, André concluiu a graduação em pedagogia, cursa técnico em enfermagem e manifesta o desejo de trabalhar com doação de órgãos.
As informações e imagens foram compartilhadas pela assessoria da Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe. Fonte: saude.se.gov.br
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