A ONU emitiu novo alerta sobre a crise humanitária no Iêmen. O PMA afirma que a escalada entre Arábia Saudita e houthi deixou cerca de 10 milhões sem acesso regular a alimentos nas áreas governamentais.
A Organização das Nações Unidas (ONU) soou um novo alarme sobre a crise humanitária no Iêmen. De acordo com o Programa Mundial de Alimentos (PMA), a escalada do conflito entre a Arábia Saudita e o grupo houthi – que voltou a ganhar força após o colapso da trégua mediada pela ONU em 2022 – já faz aumentar de forma dramática o número de pessoas sem acesso regular a comida.
Em comunicado divulgado nesta sexta-feira (2), o PMA informou que as regiões do país sob controle do governo, onde a agência consegue operar, registram o pior cenário desde o início dos levantamentos: cerca de 10 milhões de habitantes vivem nessas áreas e, entre eles, três em cada quatro famílias relatam que estão pulando refeições por falta de alimentos ou dinheiro. O temor é de que a deterioração continue caso os confrontos não arrefeçam.
A guerra iemenita, que já dura quase uma década, ganhou novo fôlego nas últimas semanas. Bombardeios se intensificaram, novas frentes de batalha foram abertas e dezenas de milhares de civis deixaram suas casas em busca de segurança. Especialistas em logística alertam que mudanças no controle territorial podem afetar rotas comerciais vitais no Mar Vermelho e no Estreito de Bab el-Mandeb, corredor por onde passa parcela significativa do comércio global de petróleo e mercadorias.
“O efeito desse recente surto de insegurança sobre a situação de segurança alimentar ameaça ser absolutamente devastador”
A avaliação, feita por Matthew Hollingworth, diretor-executivo adjunto do PMA para Operações de Programa, foi compartilhada em videoconferência com jornalistas a partir de Roma. Ele descreveu um quadro em que famílias recorrem a estratégias extremas de sobrevivência, como endividamento para comprar comida ou redução drástica na variedade de nutrientes consumidos por crianças e grávidas.
Além da fome, organizações humanitárias relatam sobrecarga nos serviços de saúde, escassez crônica de combustível e preço de alimentos básicos inflacionado pelos riscos de transporte. O PMA diz precisar de recursos adicionais para ampliar a distribuição de cestas de emergência e suplementos nutricionais, mas ressalta que a segurança dos comboios continua sendo um grande desafio em áreas onde as hostilidades se intensificaram.
Enquanto diplomatas tentam reativar canais de negociação, analistas alertam que o prolongamento da crise pode transformar o cenário de insegurança alimentar em fome generalizada. O PMA pede acesso humanitário irrestrito e reforça que uma solução política duradoura é a única forma de evitar um colapso ainda maior.
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