O Banco Central (BC) afirmou HOJE, 27/10, que a estabilidade financeira do país não está ameaçada, mesmo diante da piora dos indicadores de crédito das famílias. A conclusão integra o Relatório de Estabilidade Financeira (REF) referente ao primeiro semestre de 2026, documento que reúne análises de capitalização, liquidez e riscos do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
O BC “não vê risco relevante” para a solidez do sistema, apesar do avanço da inadimplência.
Segundo o relatório, os bancos mantêm índices de capital acima dos mínimos regulatórios e colchões de liquidez considerados confortáveis. Testes de estresse — exercícios que simulam choques econômicos severos — indicam que as instituições teriam capacidade de absorver perdas expressivas sem comprometer a continuidade das operações.
O ponto de atenção está no endividamento das famílias. O BC apurou que os ativos problemáticos, indicador que combina contratos em atraso com aqueles que apresentam sinais de dificuldade de pagamento, atingiram o maior patamar desde 2012 em praticamente todas as linhas de crédito. A inadimplência foi apontada como o principal fator para essa escalada.
Outro dado que preocupa é o comprometimento da renda das famílias com dívidas, hoje no nível mais alto dos últimos 21 anos. As projeções do BC sugerem que a pressão sobre a capacidade de pagamento deve persistir ao longo do segundo semestre, principalmente se as taxas de juros permanecerem elevadas.
Do lado da oferta, o relatório registra desaceleração do crédito para consumidores e empresas. A combinação de custos financeiros altos e atividade econômica mais moderada fez as instituições adotarem postura mais cautelosa na concessão de novos empréstimos.
Apesar do cenário desafiador, o documento ressalta a resiliência do SFN. As provisões contabilizadas pelos bancos continuam alinhadas às perdas esperadas, o que, na avaliação técnica, reforça a solidez do sistema diante de eventual deterioração adicional da carteira de crédito.
O BC também realizou pesquisa com instituições participantes do mercado. O levantamento revelou que 73% delas estão muito ou totalmente confiantes na robustez do sistema. Entre os principais riscos mapeados pelos entrevistados aparecem o desequilíbrio fiscal e a possibilidade de aumento da inadimplência caso o ambiente de juros altos se prolongue.
Para mitigar vulnerabilidades, a autoridade monetária estuda medidas direcionadas a segmentos mais expostos, com o objetivo de evitar situações de superendividamento e garantir a sustentabilidade do crédito. As propostas incluem ajustes em critérios de capital, aperfeiçoamentos na avaliação de capacidade de pagamento e iniciativas de educação financeira.
Ao concluir o relatório, o BC reforça que, embora o aumento do endividamento exija vigilância constante, a combinação de capital robusto, liquidez elevada e provisões adequadas oferece margem de segurança para enfrentar cenários adversos. A instituição promete continuar monitorando de perto os indicadores de risco, ajustando as políticas prudenciais sempre que necessário.
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