O mercado retomou equilíbrio na terça (27), após forte reação à reeleição de Lula. Ajustes no câmbio levaram o dólar a R$5,349 e a bolsa recuou sob incertezas sobre a equipe econômica e a política fiscal.
O mercado financeiro voltou a buscar equilíbrio nesta terça-feira, 27 de outubro, um dia depois da forte reação à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A sessão foi marcada por ajustes de posição no câmbio, que devolveram parte do salto visto na véspera, e por nova queda na bolsa, ainda sob o peso das incertezas sobre a futura equipe econômica e o rumo da política fiscal.
No câmbio, o dólar à vista encerrou em baixa de 1,07%, cotado a R$ 5,349. A moeda norte-americana abriu em queda e manteve o sinal negativo ao longo de todo o pregão, atingindo mínima de R$ 5,316 por volta das 10h45. O movimento foi interpretado por operadores como correção natural, depois da valorização superior a 8% registrada na segunda-feira, reação mais intensa desde janeiro de 1999.
Apesar da trégua de hoje, o ambiente segue volátil. Investidores continuam atentos à definição do próximo titular da Fazenda e aos detalhes do plano fiscal para o novo mandato. Segundo analistas, a demora nessas sinalizações amplia o prêmio de risco embutido nos ativos locais.
Principais números do dia
- Dólar: R$ 5,349 (-1,07%)
- Mínima do dólar: R$ 5,316, por volta das 10h45
- Dólar em 2026: queda acumulada de 2,55%
- Ibovespa: 175.710,05 pontos (-0,51%)
- Petróleo Brent: US$ 109,41 o barril (-1,20%)
No mercado acionário, o Ibovespa caiu 0,51%, aos 175.710,05 pontos, prolongando as perdas de quase 14% vistas ontem. Gestores apontaram realização de lucros em papéis atrelados ao dólar e venda de ações ligadas a commodities, seguindo o recuo do petróleo Brent, referência global, que cedeu 1,20%, a US$ 109,41 o barril. As ações da Petrobras, de maior peso no índice, recuaram 2% e contribuíram para o resultado.
Entre os destaques macroeconômicos, Dario Durigan reafirmou que o governo pretende “perseguir o centro da meta fiscal” e que a proposta será discutida com o Congresso Nacional. Já Gabriel Galípolo sinalizou que o Banco Central pode atuar no mercado cambial se identificar disfuncionalidades, reforçando o compromisso com a estabilidade financeira.
No exterior, o índice DXY – que compara o dólar a uma cesta de seis moedas fortes – subia cerca de 0,35% no fim da tarde. A direção contrária entre Brasil e Estados Unidos foi atribuída a fatores pontuais locais, como a aversão a risco relacionada ao ambiente político doméstico.
Para especialistas, a tendência de curto prazo dependerá da velocidade com que o Executivo anunciará o ministro da Fazenda e detalhará como pretende equilibrar as contas públicas. Até lá, volatilidade deve permanecer elevada, com investidores dosando cautela e eventuais oportunidades de compra após os desvalorizados de ontem.
Embora o dólar ainda acumule queda de 2,55% em 2026, o nível atual – superior a R$ 5,30 – é visto como lembrança de que o humor pode mudar rapidamente diante de incertezas políticas e fiscais. Já o Ibovespa, nos menores patamares desde agosto, expõe a sensibilidade da bolsa a fatores domésticos, mesmo quando o cenário externo não é adverso.
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