O colegiado especial se reúne às 16h30 para decidir se a denúncia seguirá ao plenário. Vereadores afirmam que o prefeito Ricardo Nunes teria interferido no segundo turno das eleições de 2026.
Uma comissão especial da Câmara Municipal de São Paulo analisa HOJE, às 16h30, o pedido de impeachment do prefeito Ricardo Nunes (MDB). O processo foi apresentado por vereadores que apontam suposta interferência do chefe do Executivo paulistano no segundo turno das eleições de 2026.
O colegiado responsável pelo parecer preliminar é composto por Hélio Rodrigues (PT), Luana Alves (Psol), Rubinho Nunes (União), Major Palumbo (PP), Kenji Ito (Podemos), Sandra Santana (MDB) e Sandra Tadeu (PL). Eles discutirão se a denúncia tem elementos suficientes para avançar ao plenário.
A peça acusatória sustenta que Nunes descumpriu uma decisão da Justiça Eleitoral que determinava a circulação de 100 % da frota de ônibus da capital paulista no domingo de votação, 25/10. De acordo com os autores, apenas cerca de 60 % dos coletivos operaram durante boa parte do dia, o que teria dificultado o deslocamento de eleitores até as zonas de votação.
O documento foi protocolado ainda no próprio dia 25/10 por Celso Giannazi, Amanda Paschoal e Silvia da Bancada Feminista, todos do Psol-SP. Após o protocolo, a Mesa Diretora encaminhou o material à comissão especial, etapa formal para iniciar a análise de admissibilidade.
Na noite desta quarta-feira (29), manifestantes se reuniram em frente ao prédio da prefeitura, em ato convocado pela vereadora Luana Alves. Os participantes exibiram faixas pedindo a saída de Nunes e defenderam que o Legislativo municipal dê prosseguimento ao processo.
Além da mobilização de ontem, estão previstos mais dois protestos: um na Praça Roosevelt, centro da cidade, na próxima sexta-feira (30), e outro no Largo da Batata, em Pinheiros, no sábado (31). A expectativa dos organizadores é reunir apoiadores de diferentes regiões da capital.
Pelo rito interno da Câmara, se a maioria simples da comissão votar pela continuidade, o relatório segue ao plenário. Para a abertura oficial do processo de impeachment, são necessários os votos favoráveis de dois terços dos 55 vereadores. Caso obtido esse quórum, Nunes é afastado por até 90 dias, período em que uma comissão processante apura o mérito das acusações.
Paralelamente, aliados do prefeito afirmam nos bastidores que a medida é estritamente política e que ele teria seguido orientações técnicas da SPTrans sobre a operação dos ônibus no dia da eleição. Já integrantes da oposição veem no episódio um possível uso da máquina pública em benefício eleitoral.
Até o momento, Nunes não se manifestou publicamente sobre o andamento do pedido, mas interlocutores próximos indicam que sua defesa deve alegar inexistência de dolo e contestar a interpretação de descumprimento da ordem judicial.
O desfecho inicial depende agora do parecer que será votado HOJE pela comissão, passo decisivo para definir se o pedido de impeachment avança ou é arquivado.
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