A valorização da diversidade como estratégia de negócios rendeu destaque nacional a duas empresas cariocas na 2ª edição do Prêmio de Inclusão e Diversidade Racial no Comércio Exterior. Divulgado em 12/06, o resultado reconheceu iniciativas que ampliaram oportunidades para profissionais negros em posições estratégicas e consolidaram políticas internas de equidade.
Realizado em parceria pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e pelo Ministério da Igualdade Racial, o prêmio analisou 72 inscrições de todo o país. Sete companhias, espalhadas por cinco regiões, alcançaram pontuação de excelência. No estado do Rio de Janeiro, foram contempladas a The Class Professional, do segmento de cosméticos capilares, e a Dani Embalagens Plásticas, especializada em soluções para o setor alimentício.
Fundadora e diretora-executiva da The Class Professional, a cosmetóloga e terapeuta capilar Cátia Lins começou a empreender, em 2016, a partir da própria dificuldade de encontrar produtos adequados aos seus cachos. Ela transformou o problema pessoal em oportunidade de mercado ao unir ciência e educação para valorizar a estética afro-brasileira.
“Quando decidimos trabalhar com cabelos crespos e cacheados, não falávamos só de estética. Discutíamos identidade, autoestima e pertencimento, temas historicamente negligenciados pela indústria”, explicou Cátia.
O modelo de negócios da marca está ancorado em três pilares: desenvolvimento de produtos específicos, capacitação profissional e geração de renda. Cursos de formação e atualização técnica, realizados em parceria com salões parceiros, já formaram centenas de cabeleireiros, muitos deles mulheres negras que agora lideram seus próprios empreendimentos.
A Dani Embalagens Plásticas ganhou visibilidade por implementar metas claras de promoção interna e por treinar equipes diversas desde a linha de produção até os cargos de gestão. A iniciativa foi inspirada na trajetória familiar da diretora Danielle Caldas, cujo pai montou a primeira fábrica na cozinha da garagem da avó.
“Nunca enxergamos as pessoas pela cor da pele, gênero ou idade. Observamos caráter, vontade de aprender e potencial de crescimento”, afirmou a empresária.
Na companhia, 100% dos atuais líderes começaram em posições operacionais. O plano de carreira inclui programas de mentoria, trilhas de capacitação e canais confidenciais para denúncias de assédio, todos formalizados em regulamento interno.
“É motivo de orgulho dizer que nossos gestores foram preparados dentro de casa. Isso fortalece a cultura de respeito e o senso de pertencimento”, completou Danielle.
Os vencedores puderam escolher entre duas modalidades de premiação: agenda de negócios internacional personalizada ou participação em promoção comercial organizada pela ApexBrasil. Ambas as opções visam impulsionar a presença de empresas lideradas por mulheres e pessoas negras em mercados externos.
O reconhecimento integra o Programa Raízes Comex, criado após estudo que identificou a sub-representação de mulheres e negros na liderança de empresas exportadoras. A iniciativa busca corrigir gargalos históricos por meio de mentorias, capacitações e acesso facilitado a feiras e rodadas de negócios fora do país.
“É prioridade promover um desenvolvimento econômico com justiça racial, posicionando o Brasil em melhores condições de crescimento de forma justa e igualitária”, destacou a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros.
Com a premiação, The Class Professional e Dani Embalagens Plásticas reforçam a mensagem de que inclusão não é apenas compromisso social, mas também diferencial competitivo capaz de ampliar mercados, estimular a inovação e fortalecer cadeias produtivas. O resultado sinaliza ainda que práticas consistentes de diversidade vêm conquistando espaço no comércio exterior brasileiro.
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