O motorista Mário Chiacchiaretta Neto, que atropelou e matou o oficial de Justiça, André Rodrigues Espinola, que pedalava na Avenida Inácio Barbosa, na Zona de Expansão de Aracaju, tentou alterar a cena do crime. A informação foi divulgada pela delegada Ana Carolina Machado em coletiva virtual realizada pela Delegacia Especial de Delitos de Trânsito (DEDT) da Polícia Civil nesta sexta-feira (31).
Segundo a delegada, além de tentar alterar a cena, Mário que conduzia um EcoSport branco, também não prestou socorro às três vítimas identificadas. No dia do acidente, ele atingiu um outro veículo, um Duster, que acabou parando na faixa de areia, e depois o ciclista, que morreu.
De acordo com a polícia, ele vai responder por seis crimes: homicídio doloso, atribuição falsa de crime e dano contra a bicicleta que ficou destroçada; crime de dano e lesão corporal em uma das passageiras (estes dois no outro veículo atingido); e crime de dano contra o patrimônio público, por ter destruído o poste da Energisa.
A delegada Ana Carolina, que assumiu a investigação, pois a titular da unidade está impedida por questões pessoais, destacou que Mário dirigia em velocidade incompatível com a via e as condições climáticas.
“Com ele foi apreendida a tampa do farol da bicicleta, e há relatos de que ele ficou com o capacete. Ele procurou alterar o local do crime. Também foi efetuado o teste do bafômetro, constatando embriaguez ao volante, e dada voz de prisão. Na Delegacia Plantonista o delegado entendeu como homicídio doloso. Eram três adultos com o senhor Mário. Todos foram uníssonos em dizer que ele estava na condução, e também afirmaram que ele apresentava sinais de embriaguez. Uma das testemunhas até decorou o nome dele de tanto que ele afirmar o seu nome e perguntar ‘você sabe com quem está falando?’. Uma pessoa que conduz o veículo sob bebida alcoólica, com uma velocidade incompatível, causa um acidente e sequer se mobiliza com as vítimas, altera o local do crime com o objetivo de induzir a investigação a erro, e procura se evadir do local do crime, nos confirma a tese do dolo eventual”, declarou a delegada.
Questionada pelo AjuNews se Mário tinha outras passagens pela polícia, a delegada negou, mas afirmou que ele já carrega registros de condução perigosa. “Conseguimos reunir vídeos em que ele empreendia alta velocidade, inclusive em um deles simulando relação sexual. Eles foram enviados à Justiça e comprovam a forma como ele conduzia o veículo. Um dia a casa cai para todo mundo”, ressaltou.
A delegada ainda disse que testemunhas informaram que viram pessoas com as mesmas características dele assustando pedestres na praia naquele mesmo dia, e uma delas chegou a afirmar que ele estava despido.
Agora, segundo a autoridade policial, a Justiça vai definir o futuro do criminoso, mas que as provas robustas indicam que dificilmente a pena será revertida. “Há elementos tranquilizadores à família e à sociedade, que clama por justiça. Foi um crime chocante. Algumas condutas precisam ser respeitadas”.
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