Trump disse em Washington que a prorrogação do segundo turno soa suspeita. Zanin autorizou voto até 19h em seções afetadas pelo transporte; Alckmin chamou a crítica de 'equivocada'.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a lançar dúvidas sobre o processo eleitoral brasileiro nesta segunda-feira (26). Falando a jornalistas em Washington, ele colocou em xeque a decisão da Justiça Eleitoral de prorrogar o horário de votação no segundo turno realizado no domingo (25). A medida, tomada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin, estendeu a coleta de votos em até duas horas, até as 19h, em seções onde o transporte público enfrentou restrições.
Segundo Trump, a alteração no cronograma oficial soou suspeita e comprometeu a imagem da disputa vencida por Luiz Inácio Lula da Silva.
“Acho que pareceu ruim a eleição, o jeito que foi organizada, com a prorrogação. Muito estranho”, afirmou o presidente norte-americano.
Sem detalhar eventuais indícios de irregularidade, Trump chegou a dizer que o pleito “pareceu fraudado”, mas evitou apresentar provas. Questionado sobre uma possível intervenção de Washington, respondeu que não pretende interferir na política interna brasileira.
“Eu não governo o Brasil, eu governo os Estados Unidos. Eu só pensei que a eleição foi… eu gosto do Lula, me dou muito bem com ele”, declarou.
A eleição de domingo confirmou a recondução de Lula ao Palácio do Planalto com mais de 64 milhões de votos, contra 59,8 milhões atribuídos ao senador Flávio Bolsonaro. A diferença de pouco mais de 4 milhões de eleitores encerrou uma campanha acirrada e marcou a volta do petista para um terceiro mandato.
Do lado brasileiro, o vice-presidente reeleito Geraldo Alckmin saiu em defesa do sistema eleitoral eletrônico. Em entrevista à TV Vanguarda, ele afirmou que a avaliação de Trump não procede.
“Totalmente equivocada, né? Primeiro, não se interfere na política de outro país. Isso é uma regra basilar. Segundo, não tem nenhum referencial para dizer isso. O Brasil é um exemplo para o mundo, de urna eletrônica, segurança jurídica. Democracia você ganha eleição, você perde. É o povo que decide”.
Alckmin também tratou da pauta econômica ao comentar barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
“Encerrada a eleição, vamos continuar a negociação com os Estados Unidos para ter um bom acordo. Estamos abrindo o mercado, fizemos acordo Mercosul-Singapura, Mercosul-União Europeia e estamos bem encaminhados para um acordo Mercosul-Canadá. Mesmo com o tarifaço batemos recorde de exportação”.
Trump negou ter escolhido lado na disputa presidencial brasileira, mas o tema gerou controvérsia no Capitólio. Em 24 de setembro, 31 parlamentares do Partido Democrata enviaram uma carta à Casa Branca apontando um “esforço coordenado” do governo norte-americano para favorecer Flávio Bolsonaro. Eles mencionaram o aumento de tarifas sobre mercadorias brasileiras e eventuais sanções a autoridades, ações que, segundo os congressistas, poderiam fragilizar a relação bilateral e interferir na segunda maior democracia do hemisfério ocidental.
Embora a carta ainda não tenha recebido resposta formal da administração norte-americana, ela ilustra a falta de consenso em Washington sobre a postura adotada por Trump diante da eleição brasileira. Enquanto isso, em Brasília, o governo reeleito reafirma confiança no sistema eletrônico de votação e prepara a transição para o novo mandato que se inicia em 1º de janeiro.
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