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Por que devemos nos vacinar contra o novo coronavírus?


Publicado 29 de janeiro de 2021 às 14:02     Por Diego Moura Tanajura*     Foto Josafá Neto/UFS

Com o início da “segunda onda” do novo coronavírus no Brasil, temos observado um aumento considerável no número de casos e óbitos. Até a última quinta-feira, dia 28 de janeiro de 2021, o país tinha registrado mais de 9 milhões de casos e 221 mil mortes pela covid-19. Diante deste cenário preocupante a população busca por alternativas “milagrosas” para tentar sair da pandemia. Estudo realizado pelo nosso grupo de pesquisa observou que a população de Aracaju tem buscado muito mais informações na internet sobre o uso de drogas sem comprovações científicas, como a Ivermectina, Azitromicina e Hidroxicloroquina do que sobre as vacinas contra a covid-19. Isso demonstra o desinteresse e descrédito da população sobre as vacinas aprovadas.

O cenário atual composto por muitas Fake News atacando as vacinas é o grande responsável pelo receio de parte da população frente aos imunizantes. É importante destacar que todas essas vacinas aprovadas passaram por rigorosos testes de segurança e eficácia tanto em modelos animais quanto em voluntários humanos. Além disso, todos os resultados dos estudos são avaliados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), órgão regulador no Brasil, responsável pela aprovação de medicamentos e vacinas. Até o momento, temos duas vacinas aprovadas para uso emergencial no Brasil, a CoronaVac do Instituto Butantan e a Covishield da Fiocruz, mais conhecida como vacina de Oxford. As duas vacinas, além de serem eficazes contra o novo coronavírus, são bastante seguras. A vacina CoronaVac possui a mesma metodologia da vacina da gripe que tomamos todos os anos, também produzida pelo Instituto Butantan. A vacina de Oxford utiliza a mesma metodologia da vacina contra o vírus ebola.

Para darmos um basta na pandemia será necessário a vacinação em massa da população. Justamente para induzirmos a tal “imunidade de rebanho” (imunidade coletiva). A imunidade de rebanho acontece quando grande parte das pessoas se torna imune ao vírus, dificultando a disseminação deste para as pessoas suscetíveis. A imunidade contra o vírus pode ser induzida através da vacinação da população, forma mais segura e eficaz de atingir a imunidade de rebanho ou através da infecção pelo vírus, no qual um número suficiente de pessoas que tiveram a doença e curaram, desenvolvem imunidade protetora. No entanto, induzir imunidade de rebanho deixando o vírus circular e infectar a população é arriscado, pois pessoas adoecem, sobrecarregam os hospitais e vidas são perdidas!

As vacinas, até o momento, não estão licenciadas para as crianças e adolescentes. Então, como protegê-las? A resposta também está na imunidade de rebanho. Os adultos ao se vacinarem acabam, indiretamente, protegendo não só as nossas crianças, como também outras pessoas que não poderão, por algum motivo de saúde, tomar as vacinas.

Outro ponto importante e que tem preocupado os cientistas são as mutações no novo coronavírus. O processo de mutação é algo muito comum nos vírus. É por conta disso que precisamos, todos os anos, nos vacinar contra o vírus da gripe. Quando o vírus circula muito, como temos observado atualmente, as chances de mutações aumentam. E as mutações podem ter um impacto negativo no sucesso das vacinas. Por exemplo, a vacina dos Estados Unidos da empresa Novavax possui uma eficácia de 89% contra a mutação do vírus observada no reino Unido. No entanto, sua eficácia cai para 60% contra a mutação do coronavírus observada na África do Sul. Para frear essas mutações é preciso parar a circulação do vírus. Isso só é possível através do uso da máscara, distanciamento físico, lavagem das mãos e, principalmente, a vacinação em massa.

Por isso, é importante destacar que a vacinação é um pacto coletivo. Não conseguiremos frear a pandemia sem a vacinação em massa. Escolher não se vacinar é colocar em risco não só a sua vida, mas as das nossas crianças e das pessoas com alguma enfermidade que não poderão tomar as vacinas. Recusar a se vacinar é uma atitude egoísta e que compromete seriamente os esforços para dar fim a pandemia.

* Diego Moura Tanajura é professor do Departamento de Educação em Saúde da Universidade Federal de Sergipe. Ele lidera pesquisas sobre produção e testes pré-clínicos de vacinas no Brasil. Tem mestrado e doutorado pela Fiocruz. Durante o doutorado, fez dois estágios nas universidades de Madrid e de Navarra, na Espanha, onde foi desenvolver novas técnicas sobre vacinas. O especialista foi convidado para escrever este artigo para o AjuNews.



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