Entrevista


Musa do Rasgadinho, Karla Isabella diz que gostaria de receber título de cidadã sergipana


Publicado 16 de fevereiro de 2021 às 07:30     Por Fernanda Souto     Foto Reprodução/ Instagram/ @karlaisabellacantora

A cantora baiana Karla Isabella considerada como a musa do Rasgadinho, um dos principais blocos de ruas do Carnaval sergipano, afirmou em entrevista ao AjuNews que gostaria de receber o título de cidadã aracajuana ou sergipana, devido ao carinho que sente pela cidade e pelo estado.

“Minha trajetória começou quando eu ainda morava na Bahia, em Bom Jesus da Lapa. Sou uma baiana que morou em Goiás, em Brasília, e que há 17 anos veio radicalizar aqui em Sergipe. Me considero aracajuana, até gostaria de receber um título de cidadã aracajuana ou sergipana, tenho muito respeito pelo estado. Aqui é uma cidade que eu escolhi para viver, vivo fazendo meus eventos”, disse.

Ao site, Karla também lamentou pela ausência do Rasgadinho neste ano devido a pandemia da covid-19. Uma das medidas adotadas por artistas diante da situação é a transmissão de lives. Ela, no entanto, alegou que até pensou na possibilidade com o presidente do bloco, Robson Viana, mas não foi possível prosseguir com a ideia.

“É uma tristeza imensa, porque já faço isso há 18 anos, puxo o bloco Rasgadinho. E hoje, por não poder fazer, é muita tristeza, é lamentável. Até Robson Viana, o presidente, falou comigo para fazer uma live do rasgadinho, mas infelizmente por muitas questões não vai poder acontecer”, explicou.

Confira a entrevista na íntegra:

AjuNews: Por que você é considerada como a musa do Rasgadinho? Como você se sente por essa consideração? Há quanto tempo você arrasta o bloco?
Karla Isabella: Eu sou considerada porque já estou no bloco desde o início. Muita gente não sabe, mas o bloco começou na rua, na porta da casa de Robson Viana, no bairro Cirurgia. Alí a gente cantava em cima de caminhãozinho, eu e um baterista. A coisa foi tomando proporção e hoje o bloco é conhecido como carnaval de Aracaju. E junto com isso, tem o nome Carla Isabella, aí me intitularam como musa do rasgadinho. As pessoas do bairro Cirurgia e adjacências tem muito carinho por mim e eu por eles, por me intitular assim.

AjuNews: Como a falta do bloco neste ano devido a pandemia da covid-19 te afetou?
Karla Isabella: Me afetou com tristeza por não poder acontecer neste ano. Um ano difícil para todo mundo. Diante de toda situação é inaceitável que houvesse carnaval em todo canto do país. É uma tristeza imensa, porque já faço isso há 18 anos, puxo o bloco rasgadinho. E hoje, por não poder fazer, é muita tristeza, é lamentável. Até Robson Viana, o presidente, falou comigo para fazer uma live do rasgadinho, mas infelizmente por muitas questões não vai poder acontecer.

AjuNews: Você pretende fazer alguma live no dia em que seria sua apresentação?
Karla Isabella: Eu já fiz algumas lives. Não sei se faria nos dias do carnaval. De repente, se eu estiver tocando em algum lugar, talvez eu transmita. É uma possibilidade. Mas eu queria fazer uma super live, mas infelizmente, devido a muitas regras, não vai ser possível. Mas, eu pretendo fazer uma coisa simples.

AjuNews: Com a criação da Lei Aldir Blanc foi revelada a urgência de mais políticas públicas para a Cultura no país. Em Sergipe não é diferente. Como, na sua opinião, o setor cultural poderia ser impulsionado no estado?
Karla Isabella: A criação da Lei Aldir Blanc foi louvável. Muitas coisas estão acontecendo por conta dela. Foram feitos editais aqui no estado, eu fiz, eu participei dos editais e dois projetos foram aprovados. Com o auxílio da Lei eu vou poder fazer um álbum intérprete, vai ser meu primeiro CD, eu vou interpretar composições de grandes compositores de Sergipe. É uma lei que me beneficiou, além dos meus amigos e colegas. Culturalmente, impulsionou tantos artistas, um exemplo sou eu, pude criar o projeto Sons do Nordeste. Peguei canções de grandes nomes daqui de Sergipe, como Paulo Lobo, Chico Queiroga, Antônio Rogério, Luiz Fontenele, Joesia Ramos, Tonho Baixinho, Vinicius do Xote Baião e Ivan Reis. Todos muito competentes. Estou muito honrada em poder gravar as canções deles.

AjuNews: Como você avalia a valorização dos artistas sergipanos aqui no estado?
Karla Isabella: Não só aqui no estado, no contexto geral, deveríamos ser bem mais valorizados. Porque em muitos lugares tem isso. Principalmente o pequeno artista, que vive aí batalhando. Mas a gente tem um lugar ao sol, tem pessoas que nos respeitam.

AjuNews: Fale-me sobre sua história e como você iniciou sua carreira e decidiu seguir nos ritmos musicais carnavalescos.
Karla Isabella: Eu já venho há muitos anos na trajetória musical. Eu vivo de música, exclusivamente, da música. Sou muito feliz por ter escolhido a música como instrumento de trabalho, embora tenha pessoas que não considerem a música como trabalho. Eu tenho a música como meu ofício. Minha trajetória começou quando eu ainda morava na Bahia, em Bom Jesus da Lapa. Sou uma baiana que morou em Goiás, em Brasília, e que há 17 anos veio radicalizar aqui em Sergipe. Me considero Aracajuana, até gostaria de receber um título de cidadã aracajuana ou sergipana, tenho muito respeito pelo estado. Aqui é uma cidade que eu escolhi para viver, vivo fazendo meus eventos. Foi por cantar, que me descobriram em um bar. Daí foi apresentado o projeto do Rasgadinho. A princípio eu não sabia canções de frevo, eu só conhecia o básico, que eu ouvia a minha mãe cantando. E era justamente isso que eles estavam procurando. E minha história com o carnaval é essa. É uma grande alegria ser considerada como rainha e musa aqui na cidade e em Sergipe.

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