Flávio Bolsonaro informou ao TSE que autoriza a divulgação de seus dados bancários, fiscais e telefônicos dos últimos 20 anos. Ele condicionou a medida à ampliação por Lula do escopo, incluindo informações de pessoas próximas ao presidente.
Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal à Presidência da República, informou nesta quarta-feira, 21 de outubro, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que autoriza a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico referentes aos últimos 20 anos. O gesto, porém, veio acompanhado de uma lista de exigências: ele quer que Luiz Inácio Lula da Silva amplie o escopo da própria abertura de dados para incluir informações de pessoas próximas ao presidente.
De acordo com a petição protocolada no tribunal, Flávio solicita que, além dos extratos e declarações do petista, sejam tornados públicos os registros de entrada da empresária Roberta Luchsinger no Palácio do Planalto; os dados bancários, fiscais e telefônicos de Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete de Lula; e os sigilos de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente. O documento menciona ainda “outras condições” que, segundo o candidato do PL, são necessárias para que a comparação entre as informações dos dois adversários seja considerada justa.
A manifestação chegou ao TSE um dia depois de Lula ter sinalizado, em documento próprio, que aceitaria abrir seus dados, desde que Flávio fizesse o mesmo. Na leitura do senador, o pedido do presidente representa um desvio do que, em sua opinião, seria o procedimento correto.
Para o candidato do PL, a iniciativa de Lula configura uma “verdadeira aberração jurídica” e poderia ser atendida sem a necessidade de submissão ao Tribunal Superior Eleitoral.
O processo em que ambos se dispõem a divulgar seus registros está sob relatoria do ministro André Mendonça. Caberá a ele avaliar se as condições apresentadas por cada lado serão aceitas ou se novas determinações precisarão ser impostas antes que qualquer documento venha a público.
Nos bastidores da campanha, aliados de Flávio afirmam que a medida busca “transparência total”, mas somente se o adversário se comprometer a seguir os mesmos parâmetros. Do outro lado, articuladores petistas avaliam que o gesto do parlamentar tem como objetivo “desviar o foco” do debate iniciado na última terça-feira, quando Lula ofereceu liberar seus próprios dados.
Enquanto a decisão do TSE não sai, a troca de petições mantém o tema em evidência no cenário eleitoral, adicionando um novo capítulo à disputa jurídica que se desenrola paralelamente aos atos de campanha e aos preparativos para o próximo debate televisivo.
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