A Polícia Federal deflagrou HOJE, 03/07, a Operação Exchange para desarticular o braço financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). O principal alvo é Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado como coordenador logístico da facção e responsável por lavar cerca de R$ 10 bilhões provenientes do tráfico internacional de haxixe.
De acordo com os investigadores, Shimada armou uma rede de 73 empresas de fachada para maquiar a origem dos valores. A estratégia envolvia movimentações simultâneas no mercado formal, em criptomoedas e no exterior, utilizando contas bancárias no Brasil, Portugal e Estados Unidos.
Na quarta-feira, 01/07, o Departamento do Tesouro dos EUA incluiu o brasileiro, sua secretária Stella Stefanie Nunes e quatro companhias em uma lista de sanções. Washington aponta transações que superam US$ 30 milhões. Mesmo antes do anúncio americano, a PF já monitorava o grupo e tinha representação pela prisão preventiva dos suspeitos.
Com base nos indícios reunidos, o juiz Paulo Cezar Duran, da 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo, determinou o bloqueio e sequestro de bens até o limite de R$ 10.386.527.419,19, além da suspensão das atividades das 73 pessoas jurídicas investigadas.
Relatórios de inteligência financeira mostram que a Hi Quality Importação, Comércio e Distribuição Ltda., empresa sem um único empregado registrado, aparece em centenas de comunicações bancárias que totalizam R$ 29,3 bilhões. Já a Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda. servia para transferências em larga escala, segundo laudos periciais.
O material apreendido inclui uma planilha atribuída a um usuário identificado como “Harry Thompson”, também chamado de “Bryan Willians”, nomes que a PF relaciona a Victor Shimada. A tabela traz colunas de valores em dólar, conversões cambiais e distribuição por cidades como Houston, Chicago, Denver, Atlanta e Los Angeles, somando US$ 7,5 milhões em poucos meses.
“Por isso bom sempre passar a gnt vai trocando moeda papel wire e cripto”
A frase, extraída de conversa em aplicativo de mensagens entre Shimada e Ygor Fokin — outro líder do esquema —, expõe a preocupação dos criminosos em driblar rastreamentos bancários usando criptoativos. O diálogo também menciona códigos como “branca”, “verde” e “azul” para diferentes carteiras digitais.
No total, a operação cumpriu 11 mandados de prisão e 13 de busca e apreensão em São Paulo e no Paraná. A PF informa que os investigados responderão por organização criminosa, lavagem de dinheiro e tráfico internacional de drogas.
A defesa de Victor Shimada e dos demais alvos não foi localizada até o fechamento desta edição, mas o espaço permanece aberto para manifestação.
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