Entrevista


Márcio Macêdo: “Edvaldo não é líder, não tem coragem de enfrentar o problema, se escondeu atrás do seu marqueteiro”


Publicado 11 de outubro de 2020 às 08:01     Por Eduardo Costa     Foto Divulgação

Candidato a prefeito de Aracaju, Márcio Macêdo (PT) fez duras críticas à gestão do atual gestor Edvaldo Nogueira (PDT), que tenta a reeleição. Em entrevista ao AjuNews, ele afirmou que “Edvaldo não é líder, não tem coragem de enfrentar o problema, se escondeu atrás do seu marqueteiro”.

À reportagem, o petista também lamentou o que considerou uma mudança recente de posicionamento de Edvaldo, fazendo com que o PT anunciasse uma candidatura própria em vez de apoiá-lo como em outras gestões. “A gestão é conservadora, ineficiente e abandonou o projeto original começado por Marcelo Déda”, disse Márcio, que afirmou ser das escolas de Déda, do ex-senador José Eduardo Dutra e do ex-presidente Lula.

Ainda sobre Lula, ele rechaçou qualquer problema em relação a uma possível crise de imagem do PT nos últimos anos, por conta de escândalos de corrupção. De acordo com Macêdo, nenhum crime acabou sendo provado. E ele completou: “O que eu vejo nas ruas, com toda a dificuldade da pandemia, é o povo com saudade de votar no 13”.

O candidato também falou sobre a situação que envolve seu nome e o do deputado federal Fábio Reis. Este é candidato à prefeitura de Lagarto, e caso vença, seu suplente assume a cadeira de deputado. E é justamente Márcio Macêdo. Mas ele mostrou confiança e disse que “Fábio e eu seremos colegas prefeitos, ele de Lagarto e eu de Aracaju”.

Leia a entrevista completa abaixo:

AjuNews: Qual a avaliação que você faz, entre pontos positivos e negativos, do governo Edvaldo Nogueira?
Márcio Macêdo: A gestão do prefeito Edvaldo Nogueira é conservadora, ineficiente e abandonou o projeto original começado por Marcelo Déda. Essa é a razão pela qual nós não estamos fazendo parte, com candidatura própria. Havia um projeto original com pilares fundamentais em relação à população que foram abandonados. A administração é clássica dos anos 50, 60, só priorizando a obra pela obra. E não há nenhuma obra estruturante no município, que concretamente muda a vida das pessoas. Nós queremos fazer uma gestão nova, inovadora, alicerçada no que nós já fizemos com Déda prefeito, Déda governador e Lula presidente. Quem está falando aqui é quem fez parte do projeto que fez muito em Aracaju. Fui secretário de Déda e ajudei a desenhar a gestão dele, com a força do povo. Discutimos o que era prioridade para ser gasto no orçamento da prefeitura. E o povo foi colocado como prioridade no orçamento. Minha vice, professora Ana Lúcia, é uma mulher íntegra que todo Sergipe conhece pelo trabalho na educação. Temos condição de falar que é algo que nós fizemos na administração do PT. Estamos falando com a certeza de nossa história, e apontando o que faremos nos próximos quatro anos.

AjuNews: Durante muito tempo o PT foi próximo de Edvaldo Nogueira, apoiou sua candidatura, e agora faz oposição com outra chapa. Como fazer para desvencilhar diante do eleitorado a ligação da imagem do PT ao nome de Edvaldo?
Márcio Macêdo: São duas coisas completamente diferentes. O PT tem candidato próprio, Márcio Macêdo prefeito e Ana Lúcia vice. O prefeito Edvaldo Nogueira abandonou a participação popular, e isso nos diferencia substancialmente. Nós vamos voltar a fazer o orçamento com um planejamento participativo, e reforçar a transparência pública fortalecendo o controle social. Ele não acredita mais nisso. A educação de Edvaldo foi reprovada pelo Ideb, é a última das capitais brasileiras nas primeiras séries, e a antepenúltima nas últimas séries. Temos uma chapa com dois professores. Nós vamos transformar a educação de Aracaju na melhor do Brasil. Isso é outra grande diferença. Hoje as categorias não são ouvidas pela prefeitura, o prefeito não transfere as receitas constitucionais, não tem negociação com os servidores. Em relação à saúde, é outro ponto que nos diferencia. A saúde de Aracaju com Déda e Rogério Carvalho secretário tinha um número de unidades básicas que é o mesmo até hoje, depois de 16 anos. Vamos recuperar a saúde básica do município, criar um centro de diagnósticos para que o aracajuano possa entrar com o diagnóstico e o encaminhamento adequado, vai voltar a ter atendimento para os que mais precisam. Vamos ampliar as equipes de agentes de saúde, o que é fundamental para conter doenças. Na pandemia, Edvaldo recebeu R$ 140 milhões, não conseguiu gastar metade disso e não sabemos o que será feito com esse recurso. Não comprou UTIs, não comprou respiradores, não fez uma renda básica, não distribuiu cestas básicas, não ajudou profissionais informais. Mais de 1.400 micro e pequenas empresas fecharam na pandemia e não reabriram, e agora ele lança uma fake news de que vai recuperar tudo. Edvaldo não é líder, não tem coragem de enfrentar o problema, escondeu atrás do seu marqueteiro e tudo é publicidade. Ana Lúcia e eu vamos fazer um Bolsa Família aqui. Temos 25 mil famílias que vivem na pobreza, uma parte delas vive abaixo da linha da pobreza. Isso é cuidar das pessoas. Edvaldo foi prefeito por 10 anos, e quer ser mais. Ele está apresentando ao povo o que não fez, porque não tem competência de fazer. Estamos do lado do povo, ele se entregou às elites.

AjuNews: Ainda sobre candidatura, o PT não vence uma eleição em Aracaju desde 2004 e recentemente teve grandes crises de imagem com escândalos nacionais. Como fazer com que o eleitorado que perdeu a confiança no partido volte a ser convencido pelas suas ideias?
Márcio Macêdo: Primeiro, queria dizer que os companheiros condenados foram todos absolvidos. Não foi comprovado nenhum crime. Lula foi preso de forma injusta por uma decisão passional de um juiz para tirá-lo da eleição, tanto que o juiz depois foi ser ministro de Bolsonaro e deu no que deu. Bolsonaro está enrolado com denúncias sobre Queiroz, a rachadinha dos filhos, desvios de dinheiro na conta da primeira-dama. O governador do Rio de Janeiro foi afastado, o de Santa Catarina está em processo de impeachment, o do Amazonas também. Todos os paladinos da moralidade caíram na corrupção. Aqui em Sergipe, graças a Deus temos uma história de condução da política com muita decência e ética. Sou da escola de Marcelo Déda e José Eduardo Dutra. O PT de Sergipe fez muito pelo nosso povo. O que eu vejo nas ruas, com toda a dificuldade da pandemia, é o povo com saudade de votar no 13. E nós vamos conversar com o povo na campanha, mostrando o que fizemos e o que somos capazes de fazer.

AjuNews: Com a pandemia, quais são os principais desafios da campanha? Como fazer um trabalho diferente em 2020, sem tanto contato com as ruas?
Márcio Macêdo: Primeiro me solidarizo com as vítimas que perderam seus entes queridos nessa guerra contra o coronavírus, já são 740 vidas perdidas em Aracaju, milhares no Brasil. Se o governo municipal tivesse tomado algumas medidas mais eficazes, poderíamos ter evitado muitas dessas mortes. Uma vida perdida não volta mais. Caso tivéssemos testes em massa, hospital de campanha com UTIs, respiradores, equipes para ir nas casas das pessoas e isolar os infectados, seria melhor. Mas isso não foi feito. Quero pegar nas mãos das pessoas e passar junto com elas esse período de dificuldade. Agradeço também aos profissionais de saúde, alguns estão nessas estatísticas difíceis, eles arriscam suas vidas para salvar outras. A campanha é diferente de tudo que já fizemos, e para nós do PT mais difícil ainda pela relação direta com o povo. Infelizmente não podemos dar o abraço que gostaríamos, temos que usar máscaras, tudo isso é necessário. É claro que tem a emoção das pessoas quando veem o 13, é a nossa missão. Estamos tomando todos os cuidados, mas ali ou aqui alguém se emociona mais.

AjuNews – Enquanto pré-candidato, você defendeu a união de partidos de esquerda por “um projeto democrático e popular”. Agora com a eleição já bem perto, acredita que essa união aconteceu? Ou ainda existe uma fragmentação?
Márcio Macêdo – Ela aconteceu. A decisão de Henri Clay em retirar sua candidatura para nos apoiar é uma demonstração de compromisso com a unidade, os progressistas de Aracaju. A vinda do PROS à chapa também mostra isso fortemente. Ficou de fora o PSOL, que já tinha uma candidatura e avaliou mantê-la. Mas temos respeito e com fé em Deus logo novamente estaremos juntos.

AjuNews: Recentemente em entrevista você afirmou que “a Prefeitura de Aracaju não pode virar uma delegacia”. Para você, é prejudicial termos tantos candidatos com histórico na polícia em um mesmo pleito?
Márcio Macêdo: Tenho muito respeito e admiração pela polícia. E falo com a autoridade do governo que mais fez pela polícia em Sergipe, que foi o de Déda. Tive apoio de sindicatos de policiais na minha eleição para deputado federal. Ela tem um dever constitucional muito importante na sociedade, sempre. Mas seu papel constitucional deve ser o de combate ao crime.

AjuNews: O deputado federal Fábio Reis anunciou a candidatura à prefeitura de Lagarto, e caso ele seja eleito, você como suplente assume a cadeira em Brasília. Já houve algum diálogo ou encaminhamento com ele neste sentido?
Márcio Macêdo: Fábio Reis é meu amigo pessoal. Desejo a ele toda a sorte do mundo e sei que está preparado para ser prefeito de Lagarto. O que eu tenho a dizer sobre isso é que Fábio e eu seremos colegas prefeitos, ele de Lagarto e eu de Aracaju.

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