Aposentados foram ao Palácio da Alvorada nesta terça para comemorar o aniversário do presidente. Cícera Brasil, 90, veio de Caicó e vota no PT desde 1989; atribui bolsas e políticas à ascensão da família.
O Palácio da Alvorada recebeu, nesta terça-feira (27/10), um público formado majoritariamente por eleitores idosos que decidiram transformar o aniversário de 81 anos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma nova demonstração de apoio político. Entre os visitantes estava a aposentada potiguar Cícera Brasil, 90 anos, que saiu de Caicó (RN) rumo a Brasília ainda em 1969. Ela contou que vota em Lula desde 1989 e relacionou a ascensão de filhos e netos ao acesso a bolsas de estudo e outras ações implementadas a partir dos anos 2000.
Cícera foi acompanhada da filha Renilda e da neta Ludmila, de 30 anos. Elas se juntaram a centenas de pessoas que cantaram parabéns diante de um grande bolo armado nos jardins oficiais. O presidente, emocionado, agradeceu especialmente o esforço dos votantes mais velhos.
“Eu estava vendo o vídeo dos velhinhos votarem. Eu, sinceramente, acho que foi a imagem mais forte e humana que já vi em uma eleição.”
Segundo ele, houve casos de eleitores transportados no colo, em cadeiras de rodas e até em macas para garantir o voto. Em resposta, a moradora de Samambaia Rivanda Pereira da Silva, 71 anos, declarou que o gesto dos idosos sinalizou, nas palavras dela, que “o Brasil não é quintal de ninguém”. Rivanda disse votar em Lula desde 1989 e ressaltou que, somente após seu primeiro mandato, passou a considerar a educação prioridade familiar.
No mesmo clima festivo, o pedreiro piauiense Henrique Pereira de Oliveira, 73 anos, chegou com uma mochila recheada de exemplares de seus próprios livros sobre o presidente. Autor de sete obras, a mais recente intitulada O indomável Lula, ele explicou que escreve e publica com recursos obtidos no ofício de pedreiro.
“Não há felicidade maior do que estar misturado com o povo que o elegeu presidente.”
As manifestações de apoio vieram também de outras faixas etárias. A advogada pernambucana Lígia Câmara, 48 anos, disse ter sentido “esperança de manter o país soberano” ao apertar a tecla verde. Já a oftalmologista baiana Barbra Bita afirmou que os três mandatos anteriores representaram “a chance de construir um país mais justo e solidário”.
A auxiliar administrativa Kemilly Pereira de Souza, 26 anos, deixou a seção eleitoral no Varjão (DF) entre lágrimas ao relembrar que ela e o pai cursaram o ensino superior graças ao Programa Universidade para Todos (Prouni).
“A gente achava que não seria possível ter uma graduação. Com o Prouni, meu pai conseguiu.”
Entre agradecimentos, Lula mencionou a mãe, Dona Lindú, que morreu aos 64 anos, e reforçou a necessidade de aprimorar políticas sociais. Ao fim do evento, ainda ecoava o coro de “parabéns” de quem acredita assistir, agora, ao início do quarto e último mandato do político que chegou ao Alvorada pela primeira vez em 2003.
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