O STF afirmou nesta quarta‑feira que não existe decisão judicial autorizando buscas em endereços ligados ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A nota foi divulgada após reports sobre ação da PF na mansão do Lago Sul.
O Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou nota nesta quarta-feira (28) negando que tenha havido qualquer determinação de busca e apreensão em endereços ligados ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A manifestação ocorreu depois de veículos de imprensa informarem que a Polícia Federal (PF) estaria cumprindo ordens judiciais na mansão do parlamentar, localizada no Lago Sul, área nobre de Brasília.
“É falsa a informação veiculada sobre a existência ou o cumprimento de qualquer mandado de busca e apreensão direcionado ao senador Flávio Bolsonaro ou a seus endereços. Não há nenhuma decisão judicial nesse sentido, tampouco realização de diligência policial ou de busca e apreensão.”
O comunicado da Corte foi emitido poucas horas após as primeiras publicações sobre a suposta diligência. Até o momento, a PF também não confirmou a realização de qualquer operação relacionada ao caso.
A repercussão dá continuidade aos desdobramentos da derrota do senador na eleição presidencial de 2026. Dois dias após a votação que reconduziu Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto com uma margem superior a 4,4 milhões de votos, Flávio Bolsonaro deixou o Brasil por via terrestre e, em seguida, embarcou em um jatinho particular rumo aos Estados Unidos.
A saída ocorreu depois de o ministro Alexandre de Moraes proibir o parlamentar de viajar ao exterior e ordenar a apreensão de seus passaportes. Segundo informações constantes nos autos, a PF avaliou existir risco concreto de fuga logo após o encerramento da apuração.
Na segunda-feira (27), agentes federais abordaram Flávio Bolsonaro ao final de uma visita à residência do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena em regime domiciliar por tentativa de golpe de Estado, e solicitaram a entrega dos documentos de viagem. Em vídeo publicado nas redes sociais no mesmo dia, o senador afirmou que atenderia à ordem judicial e que permaneceria no país para responder às investigações.
Apesar da gravação, na terça-feira (27) ele atravessou a fronteira com a Argentina, contrariando a determinação do STF. De lá, continuou viagem até o Equador e posteriormente embarcou para Miami, nos Estados Unidos.
A apreensão dos passaportes foi determinada no âmbito de inquérito relatado por Moraes que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. O advogado também deixou o país, em data anterior ao pleito, com destino aos Estados Unidos.
Outro procedimento em tramitação no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça, investiga se Flávio Bolsonaro solicitou ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, à época proprietário do Banco Master, cerca de R$ 134 milhões para financiar a produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. De acordo com relatórios da PF, o pedido consta em mensagens extraídas do celular de Vorcaro.
O senador reconheceu a autenticidade dos áudios e das conversas, mas defende que se tratou de uma tentativa legítima de captação de recursos privados. Até o momento, não há denúncia formal oferecida pelo Ministério Público, e ambos os inquéritos seguem em curso no Supremo.
Com a fuga confirmada, permanece em vigor a decisão que determina a retenção dos documentos de viagem de Flávio Bolsonaro. Caso o senador retorne ao país, deverá entregar imediatamente os passaportes às autoridades competentes. Enquanto isso, o STF reforça que não autorizou buscas nem apreensões em residências do parlamentar e que qualquer informação nesse sentido “é infundada”.
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